Crônica: Sobre a humanidade, por Simone Machado

O clima de eleições inspirou a crônica de hoje. A responsável pelo texto é Simone Machado, estudante de Letras da UFSM. Nas linhas que seguem, a autora busca estimular a reflexão dos leitores acerca da igualdade entre os humanos.

Além das crônicas, Simone escreve poemas e contos. Isso foi desde sempre. Ela contou que aprendeu a ler muito cedo e inventava histórias antes mesmo de se conhecer como gente. A sua incursão no mundo da literatura passou a ficar séria no ensino médio, quando escreveu fanfictions, que são histórias criadas por fãs em cima das oficiais de séries, livros, entre outros.

Apesar de publicar o seu trabalho a pouco tempo, ela já tem um plano bem formado: “Pretendo escrever livros para jovens e adultos, misturando a realidade e a magia e mostrando que é possível falar de coisas sérias (como política, meio ambiente…) com jovens utilizando a criatividade e ambientando histórias no cenário brasileiro, utilizando da nossa cultura (o que ainda é visto com certo preconceito por muitas pessoas).”

Torcemos para que o plano de Simone dê certo. 🙂  – Luciana Minuzzi.

Contatos da autora: siihnrock@gmail.com | Facebook | Diário da Bagunça  | Página no Facebook 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Sobre a humanidade

Por Simone Machado

Eu evitei escrever sobre isso, mas discursos de candidatos à presidência me trouxeram a este ponto.
Falamos tanto em igualdade entre homens e mulheres e temos pouco resultado, vou tentar uma nova abordagem: vamos falar sobre igualdade entre seres humanos.
Todos temos a mesma base, nascemos da mesma forma, nos desenvolvemos de formas bem semelhantes (eu estou falando dos nossos corpos), mas nossas mentes são influenciadas de diferentes formas, levando-nos a desenvolver posicionamentos bem distintos frente às mesmas causas.
Nosso mundo não precisa da existência de opressores e oprimidos. Nenhum de nós precisa.
Infelizmente, sempre que falo em igualdade de gêneros algum homem diz: “ir pro quartel mulher não quer, né?!”
Meus senhores, assim como acredito na igualdade de gêneros, acredito que ninguém, nem homens, nem mulheres devam ser obrigados a ir para quartel algum. Considero essa obrigação uma infração ao artigo 5º da Constituição Federal e, como prova, o exponho:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Artigo completo disponível em: http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/con1988_05.10.1988/art_5_.shtm

Acredito que o respeito ao próximo (regra presente nas suas bíblias, também) é imprescindível. Entretanto, não vemos muito disso por aí. Respeito não é algo que se vende na farmácia, não se distribui como santinho de campanha eleitoral, não se dá de presente de aniversário, respeito é algo que nos é ensinado, algo que cultivamos durante toda a nossa vida.
Respeitar não é firmar um contrato para que existam termos. Não vou respeitar aquela pessoa se e somente se ela respeitar a si mesma. Vou respeitar aquela pessoa sempre, em qualquer momento, em qualquer situação, mesmo que ela venha a ferir a mim. Nada, repito: nada, me dá o direito de tirar-lhe a respeitabilidade, o direito à uma vida da forma que ela escolher. Dignidade é um conceito pré-estabelecido para que nos sintamos superiores.
Não existe superioridade. Existimos nós. Existimos.
Por quanto tempo se continuarmos com esse ódio por tudo o que nos é estranho?
Como sugerido por Emma Watson:

“Se não eu, então quem?
Se não agora, então quando?”

Que sejamos iguais enquanto humanos e nos doutrinemos ao respeito, à garantia de que outros seres possam viver suas vidas sem se preocuparem com o que pensamos deles, afinal, pensamento é subjetividade e esta, meus queridos e queridas, não serve como definição para nossas vidas.

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6 comentários em “Crônica: Sobre a humanidade, por Simone Machado”

  1. Igualdade entre os seres humanos, desde que nascemos já vem transvestido de muito preconceito e discriminação, embora o art: 5º a preconize, mas no dia a dia como tudo: nós, vós, eles sofremos mudanças. lendo Voltaire ele exemplifica: o servo e o patrão e muda os dois de papéis: um passa a ser o outro ( creio que embora, continue havendo respeito e porque não?) mas há uma hierarquia, seja por crença, status, profissão, etc. se eu passo a elogiar minha empregada e fazer reconhecimentos. Num outro dia, meu marido. vai querer minha empregada…. difícil. nem sempre o coração pode falar do que gosta… assim nos orientamos pelo ceticismo, materialismo e mecanicismo. penso assim. Mas está muito claro e bem explicado, os pontos de vista da autora.

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