Poema: Cê, por Eduardo Ruedell

Vários autores têm uma profissão bem distante do universo das letras. O autor do post de hoje tem esse perfil e une poesia com engenharia. Eduardo Ruedell cursa Engenharia Mecânica e trabalha no Laboratório de Superfícies do Departamento de Física da UFSM. O amor pelas palavras veio antes mesmo de Eduardo prestar o vestibular. Com 12 anos, o guri já escrevia crônicas inspirado pela coluna dominical de Moacyr Scliar. Além das poesias e crônicas, Eduardo se aventura pelo conto. Ele já teve seu trabalho publicado em alguns jornais, revistas e blogs, mas a ideia é lançar um livro. Vamos ficar na expectativa para que essa ideia se realize. 🙂

Eduardo contou que os seus personagens e as situações as quais eles vivem são inspiradas no seu próprio cotidiano como uma forma de aliviar a carga emocional diária. “Basicamente, tomo como regra de vida uma citação do Romain Gary que li certa vez: ‘em vez de gritar, escrevo livros’. Mas pra mim, em vez de gritar, escrevo contos.”

Contatos do autor:

eduardo_ruedell@hotmail.com | Facebook

O autor recomenda: a poesia deve ser lida ao som de Marta, da Pata de Elefante, banda gaúcha de rock instrumental. Então, dá o play e boa leitura. 😉

Pra ti, ingrata.

Por Eduardo Ruedell

 

Ele caminhava noite adentro, ruas a frente,

no Walkman pilhas reserva e Gene Clark.

Buscava na escuridão aqueles olhos cansados,

que como uma carabina apontada para o peito

desferiram-lhe dois tiros fatais.

 

Sentia que sua Ilíada seria em vão,

e os pés fatigados insistiam em voltar.

Mas queria aqueles olhos nos seus mais uma vez,

aqueles olhos claros emoldurados na armação dos óculos.

 

Envolveu-se na escuridão, rua a rua,

fingindo não estar de saco cheio daquilo tudo.

Só desejava tê-la nos braços – talvez até um beijo sutil -,

e furtivamente tocar-lhe as mãos como antes.

 

Mas ela maquinava desencontros,

e ele já não pensava mais em qual Neruda usaria,

queria apenas mais um gole de gim.

No fim de tudo, a desilusão é um prato que se come cru.

Imagem: British Library.

Imagem: British Library.

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3 opiniões sobre “Poema: Cê, por Eduardo Ruedell”

  1. Uma poesia de uma desilusão concreta, tal qual a profissão do poeta, uma poesia palpável, para ser sentida ao som de Rock com certeza.
    Gostei dos elementos, da sinceridade nua, a dor transparente de todos que de uma forma ou outra tem um olhar perdido por aí! Parabéns Eduardo!! 😉

    Curtido por 1 pessoa

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