Conto: Cárcere, por Luciana Minuzzi

Ontem foi o meu aniversário e quero comemorar junto com vocês. Para isso, separei um conto de algum tempinho atrás. É o meu presente pra vocês leitores que têm ajudado tanto na divulgação da revista e acreditado nessa empreitada. Muito obrigada por tudo. Espero que no meu aniversário do ano que vem, estejamos comemorando um ano de revista e muitos números impressos. 🙂

Fiquem ligados que logo, logo, sai o próximo número da Cornucopia Vacua impressa. Vai ser uma bela festança de lançamento. Curtam a página no Facebook pra terem todas as atualizações.

Como vocês devem saber, sou editora da Cornucopia Vacua, jornalista e estudante de produção editorial. – Luciana Minuzzi.

Blog com alguns trabalhos meus como jornalista: http://luminozza.wordpress.com/

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Cárcere

Por Luciana Minuzzi

Não há comida mais bem temperada do que a minha. De longe, sente-se o cheiro dos almoços bem coloridos e vistosos. Coloco as roupas delicadamente dobradas no armário e nenhum amassado permanece. É possível ver o seu reflexo no chão encerado. Faço tudo com dedicação e afinco dignos de um guerreiro lutando pela sua vida no campo de batalha. Sou uma dona-de-casa.

Quando olho para os pratos devidamente colocados em cima da mesa, tenho vontade de jogá-los na cara cínica do homem que se senta à mesa. Nem me importo que o brilho do chão de madeira se misture com o molho de tomate, só queria que ele honrasse o cargo dele e me desse amor, não essa vida de plástico.

Sou uma dona-de-casa, mas não dona dos meus desejos, sonhos, vontades. Faço o que minha mãe aprendeu, o que minha vó fazia e a bisavó pregava. Gerações preocupadas em lavar, passar, servir. Tenho que ser a base forte, tenho que ser a base frágil.

Edifico o insólito enquanto converso com as sombras. Sozinha… No meu castelo de cristal onde a poeira não entra nem nos calabouços. Meu apoio é a vassoura. E se eu pudesse voar com ela? Um dia, vou quebrar o ciclo, virar a mesa, emporcalhar o tapete persa e jogar no ventilador toda a merda que aguento, mas, agora não posso. Tenho que preparar o jantar.

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7 opiniões sobre “Conto: Cárcere, por Luciana Minuzzi”

  1. Um brinde as corajosas, que quebraram estes elos de correntes que as prendiam. Um brinde as Lucianas, que tem coragem de ser elas mesmas, um brinde a nós que cozinhamos e mantemos a casa limpa, se isso nos der prazer. Um brinde aos homens, que sabem serem donos de casa junto com suas mulheres e as valorizam e as amam. Um brinde a esta moça linda, que tão bem sabe escrever das dores e das mazelas de quem conversa sozinha e só se revolta em pensamentos! Tim Tim!! Parabéns pelo seu aniversário, hoje e sempre! ❤

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