Conto: Nós somos o neon da noite escura, Mário Finard e arte de Pedro Lago

Se arte é provocar sentimentos em que a está vendo, o Mário Finard pode se considerar um verdadeiro artista. Para o bem ou para o mal, ele gosta de instigar o espectador e provocar os sentimentos mais diversos. Sob o pseudônimo de Nixon Vermelho, ele escreve, fala, sem nenhuma cerimônia. Esses pensamentos são compartilhados no seu blog. Confira no link abaixo.

Além disso, Mário é sócio na Pastel Store, produtora de vídeo. É um cara impaciente e dinâmico, como ele mesmo se descreve. Faz um pouco de cinema, música e literatura. Em meio a tudo isso, ainda tem tempo de amar a esposa Lavi, que já publicou aqui no site.

Como já fez parte de uma banda punk e é envolvido com arte desde sempre, essas referências são refletidas na sua obra, como vocês verão no texto abaixo.

Seguindo os nosso princípios de um artista mostrar a sua visão de outro artista, quem ilustra este conto é o Pedro Lago. Ele já participou por aqui com o poema e ilustração: Na TV só passa merda – Recuerdos de la mañana.

O trabalho do Pedro é uma mistura de texturas digitais ou de revistas com rabiscos precisos e instigantes que saem da ponta do seu lápis. Além de fazer essa “ilustração conceitual de guerrilha” como o mesmo define, ele é publicitário, outra arte que mexe com imagens e palavras. O Pedro também é colaborador do Pândego.

Contatos Mario Finard:

E-mail: mario.finard@gmail.com | Facebook Twitter | Blog

Contatos Pedro Lago:

E-mail: pedro.perini@gmail.com | Facebook Site | Página de O Pândego

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

 

Nós Somos o Neon da Noite Escura

Por Mário Finard

 

Eu não esperava que você fosse tão cedo.

Foram apenas 30 minutos de amor.

E você não sentiu nada por mim, apenas vestiu sua calcinha de oncinha, pegou seu dinheiro e foi embora. Tudo bem, agora só me deixe aqui. Sei que não sentirás remorso. Vou ficar sozinho até o amanhecer, olhando pela janela do 12º andar as luzes coloridas do parque de diversões. Luzes brilhantes, flores de eletricidade.

Posso não parecer humano, mas no fundo também só queria ser amado como em um filme barato dos anos 50. Mas isto não é mais possível, não sentimos mais nada, somos apenas os filhos da publicidade, das relações eletrônicas.

Somos marcas e números.

Somos o presente sem devolução.

Sonhávamos que éramos os novos deuses que agora andavam pela terra. Mas estávamos enganados, nossa geração é apenas o fruto do consumo desmedido. Nossos poderes estão em um cartão de plástico que carregamos como a cruz da nossa seita. Nossa igreja é um shopping center.

Nosso amor é comprado.

Não queremos mais sofrer, mas ao mesmo tempo não sabemos mais ser felizes. Temos medo do infinito que não dura uma estação ou da imprevisibilidade das relações.

Multi telas de 51 polegadas nos mostram o topo do mundo. Estamos sobre os ombros do gigante, vivendo em um planeta de uma língua só. Eu, você, eles… Somos todos um só, conectados por cabos diretos no córtex. É muito tarde para tentarmos nos separar e recomeçar. Nosso destino é sermos quem querem que sejamos. O redator já escreveu nossas falas, o diretor de arte já elaborou nosso visual.

Somos o plástico, o vinil, a cor cítrica do verão.

Somos o perfume, o tênis e o restaurante moderno.

Não existe mais um Joe Strummer.

O The Smiths acabou.

Queime seu aparelho de mp3 na fogueira de Joana D’Arc.

Comece a anarquia.

Mas não adianta falar mais nada, você já fechou a porta e foi atender seu próximo amor.

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