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Conto: O Menino e a Caracola, por Tania Caballero

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Tania Caballero, também assina como Lilith Carmín, em seu trabalho geral; ou Espontânia, em seus textos voltados para os pequenos. Já foi atriz de teatro, dançarina, designer e cantora. Hoje, cursa Licenciatura em Letras e Literatura na UFSM, é modelo viva do ateliê 1234 de Artes Visuais da UFSM, trabalha em um ateliê de artesanato e lá faz diversos tipos de artes. Ainda sobra um tempinho para escrever poemas, contos curtos, e também origamis, kirigamis e caligramas.

Ufa! Fora isso, ela ainda é mãe do Samuel, de apenas cinco anos. Foi ele quem inspirou o conto abaixo. “Ele me deixa mais ensinamentos que eu a ele. (risos) O mundo na visão de uma criança é muito mais simples. Simplesmente é. Seria grandioso se os adultos não tivessem se esquecido de olhar o mundo com os olhos de uma criança”, relata Tania. Precisa dizer mais? Confira o conto abaixo e também a página da moça no Facebook.

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Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

O menino e a caracola

Por Tania Caballero (EsponTânia)

O pequeno menino que brincava com dinossauros achou uma conchinha vazia no seu quintal, se perguntava que tinha acontecido com a caracola que morava dentro, depois de tudo, esse era seu lar e a resiliente caracola já tinha um bom tamanho para andar, já não tão pequena para ser comida pelas aves, nem tão grande para morrer de anosa.

Aonde foi? –ele se perguntou- e a colocou perto do ouvido para escutar o som do mar, o vô sempre falava que dava para ouvir o mar dentro das conchas vazias. Olhou para a conchinha insossa detidamente, cheirou e sentiu o cheiro daquelas coisas que são do mar, a virou, espiou por dentro com um olho, desconfiado ouviu de novo. Lá estava aquele barulhinho, as ondas ecoando, espumas flutuando, era o mar chamando.

Ah, ela se foi porque a chamaram! Atendeu ao chamado! –rapidamente pensou. Ela nunca tinha saído do quintal, nem sabia o que era o mar.

Mas que é do mar para o mar volta, o mar é seu verdadeiro lar –concluiu- O mar chama, o vento espalha o chamado, os seres que escutam viajam para serem abraçados pelas águas deixando atrás as pesadas cargas, essa e uma maneira de facilitar a viagem. Não há como fugir do intrínseco chamado.

Mas ela chegou lá? –ainda se questionou E muito longe e ela não conhecia o caminho. Ah! Já sei –falou olhando para o chão– Foram as formigas! Elas a levaram até o mar! Pedacinho por pedacinho, finalmente a caracola chegou lá.

Conto: O Barqueiro, por Cesar Alcázar

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Leia mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/cesar-alcazar/

O mundo de Cesar Alcázar gira em torno das letras. Quando não cria contos, trabalha como tradutor ou editor da Argonautas. Começou a escrever ficção com o objetivo de publicação em 2008. Porém, desde 2001, escrevia sobre cinema. Ele também atua movimentando a cena literária, com eventos como a Odisseia de Literatura Fantástica. Recentemente, Cesar se aventurou pela nona arte com a HQ “A Música do Quarto ao Lado” e a webcomic “Contos do Cão Negro”.

No conto abaixo, ele traz uma releitura do mito grego de Caronte, o barqueiro que transporta almas para o mundo dos mortos. “Inseri no personagem meus próprios anseios, retratando uma época em que eu estava preso a um trabalho que detestava e sonhava com algo mais”, conta o autor. Intrigante, não?

sartanawest@gmail.comBazar Pulp

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Barqueiro

Por Cesar Alcázar

Era o barqueiro no rio do infortúnio. Não entendia muito bem sua função, apenas a executava. Recebia moedas que não podia gastar, pois nada existia para ele além do barco e das águas sombrias. A existência prosseguia sem grandes acontecimentos, e o tempo nada significava. Havia apenas um problema: o sonho.

Passageiros chegavam, rostos entristecidos tão nebulosos quanto o céu escuro imutável, estendiam suas mãos com o pagamento incompreensível e partiam para o outro lado. Nunca mais os via. Bem, quase nunca. Alguns retornavam. E com eles vinha o sonho.

Certa vez, um homem magnífico, que em nada se assemelhava aos melancólicos passageiros habituais, retornou. Trazia em suas costas uma besta terrível, e estava acompanhando por uma bela mulher. As faces do casal irradiavam uma sensação desconhecida. Porém, o barqueiro limitou-se a estender a mão ossuda para coletar a moeda de pagamento.

Quem seriam aqueles homens? Heróis? Aventureiros? Deuses? O barqueiro sentia uma enorme vontade de falar com eles. Porém, esta não era sua função. Devia remar o barco, só isso.

E, quando não havia passageiros, ele adormecia e sonhava. Sonhava ser um herói, um aventureiro ou um deus. Sonhava que havia algo mais na existência do que um barco, um remo e um rio de águas sombrias.

Conto: Segredos, por Cesar Alcázar

O mundo de Cesar Alcázar gira em torno das letras. Quando não está criando algum conto, está trabalhando como tradutor ou editor da Argonautas. Não só as letras, mas as telas também fazem parte de sua trajetória. Começou a escrever ficção com o objetivo de publicação em 2008. Porém, desde 2001, escrevia sobre cinema. “Sempre fui contador/inventor de histórias (alguns poderiam me chamar de mentiroso, hehehe), então, acho que a transição das narrativas orais para a escrita foi algo natural, sem planejamento.”, conta ele.

Ele também atua movimentando a cena literária. Pelo seu trabalho como um dos organizadores e criadores da Odisseia de Literatura Fantástica recebeu o troféu Amigo do Livro, oferecido pela Câmara Rio-Grandense do Livro. Recentemente, Cesar se aventurou pela nona arte. Sua primeira HQ “A Música do Quarto ao Lado” foi lançada recentemente. A arte é de Eduardo Monteiro. Está em andamento também a “Contos do Cão Negro”, cuja arte é de Fred Rubim, e a primeira parte está disponível na página da webcomic.

Enquanto que o Cão Negro tem influência das paisagens e lendas irlandesas, no conto abaixo, a inspiração veio de Buenos Aires, como conta o autor: “A atmosfera local e a forma como os argentinos lidam com seu passado sombrio de uma ditadura militar, em contraste com o modo esquivo brasileiro de se tratar do assunto, foram a inspiração para a história”. Confiram, então, o conto “Segredos” e boa leitura. 😀

Contatos do autor:

sartanawest@gmail.com | Blog Sonora Razão

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Segredos

Por Cesar Alcázar

Agora consigo lembrar com clareza dos anos sombrios passados naquela casa em Calle San Martín. São inúmeras as memórias sufocadas dentro de minha mente por todo esse tempo. A mordaça psicológica que me calava por fim desapareceu. Sinto como se apenas hoje recebesse de volta um pedaço de mim que havia sido roubado.

Miserere mei, Deus. “Misericórdia de mim, Deus!” dizia a empregada Juanita todas as manhãs quando chegava para trabalhar na casa em que eu vivia com meus pais. Naqueles dias, eu não tinha idéia do significado das palavras da velha senhora. Quando li o jornal esta manhã, pude enfim compreender. Ela sabia o que acontecia naquele casarão opressivo de três andares construído no fim do Século XIX.

Enquanto o país mergulhava na noite mais longa e escura de sua história, vivi minhas próprias trevas. O pesadelo durou dos meus oito aos catorze anos de idade, mais precisamente de 1976 a 1982. Antes disso, minhas memórias são as de um menino normal e feliz, embora houvesse certa sensação de estranhamento. Sobretudo devido à cicatriz que atravessa o lado direito de meu corpo da cintura até o ombro, da qual jamais me foi falada a origem. Hoje tenho certeza do que se trata.

Como quase toda criança, eu tinha medo do escuro. No entanto, o medo não era infundado. Sempre tive a impressão de ser observado através das frestas na madeira, além de ouvir passos débeis e até mesmos suspiros no sótão acima do quarto quando anoitecia. O que me apavorava.

Sempre fui muito solitário. Encontrei a amizade apenas em Ana, filha de Francesca, uma empregada que morava conosco. Eu não podia ter amigos fora de casa por causa do trabalho de meu pai. “Alguém poderia usar você para chegar até ele”, lembro-me de ouvir minha mãe falar.

A situação ficou pior quando completei oito anos de idade. Se antes havia apenas o sentimento de algo estranho no ar, agora o medo era palpável. Podia ter certeza de que alguma coisa vivia no sótão e entre as paredes da casa. Minha imaginação infantil concebia um monstro horrendo e sedento de sangue prestes a saltar da parede para me pegar.

“São essas porcarias que você assiste! Devíamos proibi-los todos!” foi a explicação de meu pai.

Os filmes de Terror não tiveram sua proibição decretada nos cinemas, o veto atingiu apenas a mim. Além disso, acordei certa manhã e notei que todas as minhas historietas do Eternauta, Sargento Kirk e Guerra dos Antartes haviam desaparecido. Só muito mais tarde na vida percebi que foram tantos os desaparecimentos daqueles dias.

Nesta mesma época, meus pais começaram a brigar com frequência. Entre tantos gritos, eu conseguia entender meu pai dizendo “… o seu filho…” diversas vezes. Após cada discussão, ele subia ao sótão e ficava gritando sozinho por horas. Era possível ouvi-lo batendo os pés com raiva no piso de madeira.

Certo dia, esperei que ele descesse e pedi para que nunca mais subisse até lá por causa do monstro. Levei a maior surra de minha vida. Depois, levaram-me a um psicólogo, numa tentativa de me fazer esquecer o que chamavam de “fantasias doentias”.

Mesmo assim, continuei a vivenciar a atmosfera de medo em Calle San Martín. Entretanto, os primeiros anos de adolescência me trouxeram um pouco de paz. Fiquei cada vez mais ligado a Ana, por quem me apaixonei. Passávamos o dia inteiro junto. Como meus pais gostavam muito de Francesca, Ana teve a oportunidade de frequentar a mesma escola que eu, diminuindo meu isolamento.

Esta idade, é óbvio, não passa incólume de incidentes. No meu caso foi pior, muito pior. O fato selador de meu destino como um homem sem memória aconteceu no dia seguinte ao meu aniversário de catorze anos.

Ana estava comigo no pátio de casa. Todos os dias, ficávamos conversando no pequeno coreto até o fim da tarde. Neste dia em particular, meu pais haviam saído para um baile dos militares. Aproveitamos a ocasião e entramos noite adentro fazendo companhia um ao outro. Então, depois de tomar coragem, revelei a Ana sobre meus medos de outrora, sobre a criatura no sótão.

Ela riu sem parar durante um bom tempo. Confesso que senti vergonha por parecer tão medroso. Tão logo parou de rir, a expressão de Ana mudou. Lembro agora exatamente do que ela disse em seguida: “às vezes, minha mãe também sente coisas estranhas, como se estivesse sendo observada…”. Ana sorriu outra vez e continuou: “Já sei! Vamos subir no sótão!”.

Quando ouvi essas palavras, senti um frio na espinha. Ana, sem titubear, pegou minha mão e me levou para o terceiro andar. Apanhamos uma cadeira e a colocamos abaixo da portinhola. Assim consegui puxar o cordão que fazia a escada do sótão descer. O cheiro de mofo e podridão penetrou nossas narinas.

Com o aparato armado, ela fez questão de ir à frente. Queria demonstrar mais coragem do que eu. Tão logo se aproximou do alçapão, vimos um movimento no escuro. Ana não recuou. Acendeu um fósforo e estendeu o braço para iluminar o caminho. Então, aconteceu.

A coisa agarrou o braço da menina e tentou puxá-la para dentro do sótão. Segurei-a com força, mas não o suficiente, pois ela estava sendo tragada pela escuridão. Por sorte, Francesca ouviu os gritos e correu ao nosso socorro. A mulher conseguiu resgatar sua filha e, com uma rapidez incrível, fechou a porta do sótão. Não conseguimos ver a criatura.

Logo, Juanita apareceu. Seu rosto, uma máscara de condenação. Enquanto ela ajudava a cuidar dos ferimentos de Ana, arranhões enormes e profundos nos braços e no pescoço, nos reprovava com veemência por termos feito o que não devíamos. Francesca questionou a velha sobre o sótão. Juanita apenas respondeu: “Isso só diz respeito ao Señor Rivera!”.

Meus pais chegaram e nos encontraram reunidos na sala. Imaginei que haveria uma grande discussão, no entanto, isso não ocorreu. Meu pai pediu para conversar em particular com Juanita e Francesca. Ele não parecia abalado, e sim, frio como de costume. Mais ou menos uma hora deve ter se passado até que ele retornasse com as duas mulheres. Francesca levou a filha da sala, e fiquei lá sozinho com os três remanescentes. A frase que ouvi a seguir retumba neste instante dentro da minha cabeça: “Essa foi a gota d’água!”.

Acusaram-me de ter machucado Ana. Nunca tive a chance de falar com ela sobre o acontecido. Na manhã posterior, Ana e Francesca foram embora da Calle San Martín. Ganharam muito dinheiro para permanecerem caladas, é bastante provável. À noite, chegou minha vez de partir. Enviaram-me para uma instituição psiquiátrica, devido a supostas alucinações e comportamento violento.

Foram dois longos anos de terapias, choques e medicação pesada, até tudo o que aconteceu se tornar um vazio em minha mente. Voltei para casa como um morto-vivo.

Um ano depois, em 1985, após a queda do regime, precipitado por uma guerra atroz, meu pai foi preso e condenado. Ele cometeu suicídio na primeira semana de prisão. Minha mãe faleceu pouco tempo depois. De Juanita, Francesca e Ana nunca mais tive notícias, e se tivesse, de nada adiantaria, pois não me lembrava delas. Parecia que o segredo de Calle San Martín estava enterrado para sempre em minha memória.

Segredos como esse não podem persistir. Devemos fazer o possível para resgatar os horrores de nossos passados. Por mais que venha a doer. Enfim, tenho a minha oportunidade de reviver o passado. Pois todos estes fatos narrados aqui ressurgiram em um turbilhão de memórias quando o horror bateu à minha porta junto com o jornal hoje pela manhã. Uma ossada “quase humana” havia sido encontrada no sótão da velha casa em Calle San Martín. Meu irmão.

Conto: Laser Phaser, por Fernando Rodrigues

Quem nunca esqueceu um compromisso importante? E quem nunca esteve entre duas paixões? O conto de hoje retrata um fato acontecido com um personagem bem distraído.

O autor é o jornalista Fernando Rodrigues. Ele já publicou aqui pela CV. Confiram mais textos dele na tag abaixo. Também não deixem de passar no Satélite Vertebral, site no qual Fernando assina diversas postagens sobre HQs, cinema, literatura. Boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Leia mais materiais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/fernando-rodrigues/

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Laser Phaser

Por Fernando Rodrigues

 Sabem aquele momento em que o tema principal do filme Star Wars, composto por John Williams, invade o ouvido de todos que estão jogando uma partida de videogame? Pois é, foi exatamente isso o que ocorreu quando o telefone celular do cara tocou.

– Ó… Desculpem aí. É o toque do meu celular, eu atendo. – Falou o dono do telefone.

– Oi amor. – Ele disse. Imediatamente, do outro lado da linha, uma voz feminina respondeu:

– Oi amor, você sabe que dia é hoje?

– Sei sim. É dia de jogar Laser Phaser na casa do Rafinha.

– É, mas saiba que tem uma coisa mais importante que o Laser Blazer, Beiser, Crazy… Sei lá que merda é essa!

– Não querida, Laser Phaser é a coisa mais importante que existe. Nesse jogo derrotamos alienígenas que querem escravizar a raça humana. Ainda mais agora que eu acumulei cem pontos e ganhei uma pistola de antimatéria.

– Mas querido, pensa bem, Laser Gleiser é só um jogo…

Ele imediatamente retrucou:

– Não meu amor, Laser Phaser é a oportunidade que temos para defendermos o nosso planeta. Você é ecologista, certo? Você quer o bem das baleias, dos tamanduás, dos batráquios, dos anuros e de todo e qualquer animal rastejante, inclusive o do avô Dioclécio, ok? Pois é, em Laser Phaser nós derrotamos alienígenas que almejam destruir tudo isso aí.

– Eu sei, mas querido, meu amor, Brendon Fraser pode ser jogado qualquer dia e…

– Não meu amor, só pode ser jogado domingo, quando o Rafinha chama o pessoal do bairro e libera o Playstater dele.

– Mas assim mesmo, hoje ainda é dia de algo mais importante que esse tal de Laser Invader.

– Dia de sexo?

– Também, mas há algo de um valor ainda mais inestimável.

– Aniversário do Stan Lee?

– Não, seu sacripanta filho da puta, hoje é dia do nosso casamento. A igreja está lotada e só falta você. Larga essa porra de videogame cretino e vem logo para cá.

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Conto: A Morte de Lúcio, por J. Rowstock

O autor de hoje faz parte da história da Cornucopia Vacua. Por incorporar o faça-você-mesmo, J. Rowstock foi uma das inspirações para a criação da revista e um dos primeiros a ter um texto postado aqui. Leia aqui.

Hoje, ele trabalha como artesão e continua com o projeto independente Febre de Rato (link abaixo). Se depender da empolgação do moço com a arte, ainda vamos ver muito do trabalho dele por aí. J. disse que a arte está presente na sua vida desde que nasceu: “A arte é como gente, precisa respirar. Sou inspirado pela geração mimeógrafo, punk que por muito tempo fizeram como Ana Cristina ou Rimbaud!” Assino embaixo porque a CV tem essa missão de deixar a arte livre, respirar por todo o lugar. Fiquem com o conto abaixo e boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/j-rowstock/

Contatos do autor:

E-mail: febrederato@hotmail.com | Site | Facebook | Febre de Rato    

Imagem: British Library.
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A morte de Lúcio

Por J. Rowstock

Lúcio morreu. Sua família colocou seu corpo dentro de um caixão barato e fingiu cerimônia. Sua filha Alda ainda estava descontente pela morte de seu pai ter atrapalhado a data do seu casamento, a sua esposa Maria ainda preocupava-se com gastos que todos aqueles convidados conhecidos e desconhecidos estavam gastando no velório através de bebidas e salgados. Todos naquela sala iriam morrer, todos naquela sala não tinham conhecimento da dor e do ódio com que Lúcio partira… E talvez seja essa a maneira pérfida que o animal homem inventou para tapar o que nunca conseguirá vencer: A morte.  E por isso e para isso vale tudo! Vale comprar cada vez mais, vale ser cada vez mais rico, vale fazer o errado e fingir que não pecou… Milhares e mais milhares de burocracias para aqueles que têm medo da vida e da morte e por isso, portanto, inventam inconveniências para seus medos e acabam por tapar a realidade com suas mentiras. Lúcio morreu. Mas as pessoas que estavam no velório não estariam mortas também? (…)!

Conto: O Vale, por Joe Dornelles Lambert

Que tal uma história daquelas que bem poderia se passar em uma sexta-feira 13 como hoje? O conto “O vale” narra a história de uma bela mulher cujo passado volta para lhe atormentar. Tudo sob um cenário bem conhecido pelos gaúchos. O responsável pela trama é o estudante Joe Dornelles Lambert.

Além de escrever contos como o abaixo, Joe se aventura em fotografia, poesia, até letras de músicas. Desde criança, ele já demonstrava habilidades artísticas. Foi cedo também que ele passou a se dedicar a uma atividade bem fora do comum que é a pesquisa genealógica e histórica na sua cidade natal. Já é reconhecido pelo seu trabalho na área e pretende lançar um livro que está em fase de produção. Ele já assina a co-autoria do Dicionário de Língua Portuguesa-Rênana, uma obra coletiva de vários descendentes dos imigrantes renanos do Espírito Santo, com participação de alguns gaúchos, organizada por André Kuster-Cid.

Descubra abaixo o que aconteceu com a moça que morava no vale e boa leitura. 😀

Contatos do autor:

joedlambert@gmail.com | https://www.facebook.com/joe.d.lambert

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O vale

Por Joe Dornelles Lambert.

 

Fevereiro de 2013

Rincão dos Lambert, São Francisco de Assis – RS.

 

Acto I:

Havia uma mulher tomando banho em um grande poço, em um rio que corria na entrada do profundo vale em que ela residia, com o filho. Ela era uma mulher de 33 anos, loira, de olhos azuis acinzentados, muito bela… Eram meados de 1923, uma tarde quente em que ela havia ido recolher lenha na ultima faixa de seu campo, do outro lado do rio. Ao sair das águas pode-se ver uma cicatriz em seu rosto esquerdo. Era fina, porém iniciando perto dos olhos só acabava no canto de seus lábios. Para entendermos a origem deste pequeno empecilho na sua beleza, precisamos voltar na mocidade de seus 25 anos.

No forte inverno de 1915 o esposo da mulher, homem pouquíssimo conhecido, que raramente saía, um fruto de uma paixão da então jovem de 15 anos, foi esquentar o corpo com alguns goles de Whisky, na pequena taverna que havia no “centro” da localidade interiorana. Ao voltar para casa, já perto do meio dia, o homem não mais respondia por seus atos e, aquecido com a bebida, adentrou a residência. O filho de nove anos dormia, coisa rara, enquanto a jovem mulher preparava o almoço na cozinha.

O homem, fora de si, viu no vidro quebrado da janela um motivo para a discussão, e no sono do garoto, um motivo para culpá-lo de o problema ainda não ter sido resolvido. Por de trás de seus soluços dava para distinguir o gutural “Porco Dio, Barbaridade!” – herança de seus pais, imigrantes italianos.

A mulher, vendo o perigo, sabendo que o homem já havia arrumado problemas sob efeito do álcool outras vezes antes, não pensou duas vezes antes de por em mãos o revólver que havia em cima do armário. O contra-ataque do italiano foi sacar a faca que carregava em sua cintura e rapidamente atingir a mulher, antes mesmo de ela ter conseguido se virar e engatilhar a arma em punhos, que agora jazia longe dela, no outro lado da cozinha. O golpe do italiano pegou de raspão, causando um corte extenso. A mulher, enquanto caia ao chão, levou a mão em cima do balcão e deu de mão no cutelo com o qual fatiava a carne e, já no chão, lançou-o contra o esposo. O artefato cravou no ombro do moribundo que cambaleou para fora da casa, urrando e gemendo.

Acto II:

O homem saiu correndo estrada afora até adentrar no mato. Subiu por uma trilha raramente percorrida que chegava ao cimo das montanhas, donde se via todo o vale. Antes mesmo da metade da trilha o italiano, completamente tonto, tropeça em uma raiz e cai ao chão, por onde rola por alguns metros até bater a cabeça em uma pedra. Pouco tempo depois passou pelo mesmo local o Sr. Brücken, que residia ali perto, em um pequeno rancho. Brücken, médico homeopata que curava as enfermidades da população local, quase diariamente percorria aquela floresta em procura de plantas medicinais. Muitos o consideravam gênio, outros o consideravam louco. Ao ver que o homem jogado era seu vizinho Giovanni Francesco Dellorzo, Brücken o recolheu, mesmo sabendo da opinião que o italiano tinha para consigo. Lá o homem foi curado de seus ferimentos em poucos dias. Porém, antes disso, os dois já haviam se dado conta de algo: o italiano perdera a memória quando batera a cabeça na pedra.

Dada as circunstâncias em que Dellorzo foi encontrado e ao seu histórico perturbador, o homeopata já desconfiara do que havia acontecido: o italiano chegou bêbado em casa e teve uma feia briga com a mulher. Pensou que dessa vez nada poderia ser resolvido, e, que, se a mulher por ali não aparecesse, atrás do marido beberrão, deixaria o assunto nas entrelinhas e criaria alguma história falsa ao novo hóspede.

Sr. Brücken era um homem sozinho no mundo, somente ele e suas plantas e livros. Ele tinha bons fundos monetários, porém o instinto relaxado o fazia ter aquela vida simples. Que mal teria em ter Dellorzo como empregado? Passaram-se os anos e Dellorzo, sem saber de seu passado horrível, se consolidou como ajudante e aprendiz de Brücken. Nessa vida, ele aprendeu muitas coisas e virtudes que o transformaram em um outro homem.

Acto III:

Katerina Mavr Yarkiyezemli agora estava na beira do rio, secando-se. Vestiu então o vestido branco, subiu na carroça puxada por dois cavalos de médio porte, e seguiu pela estrada, adentrando o mato, em direção á sua casa. Em meio à floresta, numa subida, a carroça que desde sempre rangia veio a quebrar uma das rodas.

Cinco minutos depois, a mulher já havia desistido de tentar consertar a carroça, cheia de lenha em cima. Ela, sem ferramentas e sozinha, sentou-se ao chão quase chorando. Neste momento cruza pelo local um homem montado em um belo cavalo pintado. Ele desce do cavalo e oferece para levar a mulher até sua casa, e que depois voltaria ao local com as ferramentas necessárias e arrumaria a carroça. A luz solar que entrava por entre as folhas das árvores mostraram seus olhos alvos e também uma grande cicatriz em seu lindo rosto. O homem hesitou com a imagem, porém ainda continuava encantado com a beleza da mulher. Algo incomodou Katerina, um sentido aguçado indecifrável, porém ela admitiu que estava necessitando muito de ajuda, tendo aceitado a proposta.

Um quilômetro e meio adiante, no fim do vale, estava a casa de Katerina Yarkiyezemli. A anfitriã entrou na escura residência e preparou um café para o errante samaritano, que aguardava à sombra de uma frondosa arvore no quintal. O desconhecido homem, encantado com a mulher, percebeu que ela era sozinha, sem ninguém ali naquele lugar. O homem nunca havia se sentido tão bem desde que fora salvo pelo velho Brücken, já falecido. Contou á ela a história de sua vida, ou ao menos o que Brücken o havia lhe inventado para esconder o real caminho percorrido por ele até ser encontrado naquela floresta, com uma pedra na cabeça e um cutelo no ombro. Ele estava seguro, somente por uma coisa, o que o velho Brücken havia lhe sussurrado antes de dar o último suspiro: “Procure abaixo da montanha”.

Katerina passou de branca a vermelha em questão de segundos, ao se dar conta de quem estava relatando essa história ali em sua frente, ali, em sua casa, oito anos depois. Como não adivinhara antes! Talvez pelo diferente corte de cabelo, umas marcas a mais no rosto, etc, mas aqueles olhos dele… Aqueles olhos verdes e impactantes eram inconfundíveis.

Acto final:

Após o café, voltam os dois para a floresta, onde jaz a carroça quebrada. Com as ferramentas trazidas da casa de Katerina, Dellorzo conserta a carroça da bela russa. Quando este se vira para guardar as ferramentas na carroça, Katerina Mavr Yarkiyezemli saca seu revólver, aquele mesmo do início da história, e num só suspiro diz:

– Você de novo não, Giovanni Francesco Dellorzo!

Os pássaros voam dos galhos das arvores assustados com os três estampidos altos, secos e contínuos. Yarkiyezemli guarda na cintura seu revolver, sobe na carroça, e volta para seu solitário rancho.

Conto: O nome, por Matheus Santi

Enquanto tem muita gente costurando lantejoulas na camiseta do bloco, tem outros preocupados com o fim das férias. É, meus amigos, logo os estudantes voltarão para a rotina de idas ao campus. Não só os universitários, mas muitos trabalhadores em férias logo trocarão a areia da praia pelos bancos dos ônibus. O longo trajeto diário nos coletivos é cansativo, mas rende boas histórias.

O conto do post de hoje é um desses causos vexatórios e engraçados que dão um alívio no peso do cotidiano. O autor é conhecido por aqui e atende por Matheus Ribeiro Santi, ou Mr. Santi. No texto abaixo, ele conta uma passagem possivelmente autobiográfica já que ele é estudante de jornalismo na UFSM. Boa leitura! 😀  – Luciana Minuzzi.

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Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Nome

Por Matheus Santi

Entramos no ônibus naquele final de tarde. Um dia de outono. O sol já baixava e refletia amareladamente nas ainda verdes folhas dos áceres do campus. Sentamos nas duas poltronas à esquerda, na última fileira. Em torno de uma hora de viagem estava à nossa frente.

Conversamos sobre tudo e qualquer coisa (pedir-me para lembrar especificamente seria exigir demais de uma memória não tão boa). Bate-papos. Papos bobos. Conversas ao vento. Quotidiano. E os centímetros começavam a tornar-se metros, que viriam a tornar-se quilômetros, enquanto eu não conseguia olhar para ela devido ao baixo sol, na direção dos meus olhos. Ah, sim, ela estava ao lado da janela.

Assim seguimos, com o baixar do sol e o subir dos quilômetros (ou subir do sol e baixar dos quilômetros, dependendo do ponto de vista).

Um pouco depois da metade do caminho entra uma jovem moça. Vem até o fundo. Senta-se ao meu lado. Percebi o incômodo e hesitação de minha amiga no mesmo instante. Achei por bem não falar nada sobre. Talvez ela simplesmente tenha achado que era alguém que conhecia. Olhei para o lado para confirmar. Não. Eu, pelo menos, não a conhecia.

Alguns instantes de rápidos relances de sua parte passaram, até que finalmente sussurrou-me. Achava que conhecia aquela moça. Disse um nome e mais, que estudaram juntas, quando pequenas, nas séries iniciais. Tinha certeza que era ela. O rosto era o mesmo. Tinha que ser a Mônica!

Precisava descobrir se era ou não. A tensão só aumentava a cada metro que o ônibus percorria. Decidiu perguntar! Não… Estava com vergonha. Pediu-me para perguntar. Não! “Quem quer saber é você!” Também estava com vergonha. Tentamos continuar a conversa depois da ideia e falha, mas estava inquieta demais para pensar em qualquer outra coisa que não o nome da Mônica.

Já sei! Iniciei uma frase e no meio falei “Mônica” em alto e bom som. Minha esperança era que, como todo mundo (pelo menos, para mim), ela direcionaria o olhar ao ouvir o próprio nome. Não funcionou… Um, porque ela não olhou. Outro, porque minha amiga tampou minha boca quando estava no “ni”.

Teria que ser do jeito difícil. Ela tomou para si uns cinco minutos criadores de coragem, inclinou-se para frente e para a direita e chamou: Moça. Nada. Moça. Nada. Moça! Tínhamos sua atenção finalmente. Pediu desculpas e perguntou seu nome. A resposta veio seca: Mônica. Minha cara caiu nesse exato momento. Desconheço minha expressão, por falta de espelho, mas olhei para minha amiga. Ela surpresa, mas com um sorriso nos lábios continuou: “de Porto Alegre? Acho que estudamos juntas!” E novamente a resposta veio seca: Não.

Não!? Como assim, “não”??? Eu tentava entender e ela também. Era de uma pequena cidade ali perto, explicou. Minha amiga também explicou toda a história. Elas riram e conversaram mais um pouco.

Afinal, descobrimos o nome da Mônica. A Mônica chamava-se Mônica. Bom, acho que nem todas as Mônicas são a mesma…

Conto: Nós somos o neon da noite escura, Mário Finard e arte de Pedro Lago

Se arte é provocar sentimentos em que a está vendo, o Mário Finard pode se considerar um verdadeiro artista. Para o bem ou para o mal, ele gosta de instigar o espectador e provocar os sentimentos mais diversos. Sob o pseudônimo de Nixon Vermelho, ele escreve, fala, sem nenhuma cerimônia. Esses pensamentos são compartilhados no seu blog. Confira no link abaixo.

Além disso, Mário é sócio na Pastel Store, produtora de vídeo. É um cara impaciente e dinâmico, como ele mesmo se descreve. Faz um pouco de cinema, música e literatura. Em meio a tudo isso, ainda tem tempo de amar a esposa Lavi, que já publicou aqui no site.

Como já fez parte de uma banda punk e é envolvido com arte desde sempre, essas referências são refletidas na sua obra, como vocês verão no texto abaixo.

Seguindo os nosso princípios de um artista mostrar a sua visão de outro artista, quem ilustra este conto é o Pedro Lago. Ele já participou por aqui com o poema e ilustração: Na TV só passa merda – Recuerdos de la mañana.

O trabalho do Pedro é uma mistura de texturas digitais ou de revistas com rabiscos precisos e instigantes que saem da ponta do seu lápis. Além de fazer essa “ilustração conceitual de guerrilha” como o mesmo define, ele é publicitário, outra arte que mexe com imagens e palavras. O Pedro também é colaborador do Pândego.

Contatos Mario Finard:

E-mail: mario.finard@gmail.com | Facebook Twitter | Blog

Contatos Pedro Lago:

E-mail: pedro.perini@gmail.com | Facebook Site | Página de O Pândego

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

 

Nós Somos o Neon da Noite Escura

Por Mário Finard

 

Eu não esperava que você fosse tão cedo.

Foram apenas 30 minutos de amor.

E você não sentiu nada por mim, apenas vestiu sua calcinha de oncinha, pegou seu dinheiro e foi embora. Tudo bem, agora só me deixe aqui. Sei que não sentirás remorso. Vou ficar sozinho até o amanhecer, olhando pela janela do 12º andar as luzes coloridas do parque de diversões. Luzes brilhantes, flores de eletricidade.

Posso não parecer humano, mas no fundo também só queria ser amado como em um filme barato dos anos 50. Mas isto não é mais possível, não sentimos mais nada, somos apenas os filhos da publicidade, das relações eletrônicas.

Somos marcas e números.

Somos o presente sem devolução.

Sonhávamos que éramos os novos deuses que agora andavam pela terra. Mas estávamos enganados, nossa geração é apenas o fruto do consumo desmedido. Nossos poderes estão em um cartão de plástico que carregamos como a cruz da nossa seita. Nossa igreja é um shopping center.

Nosso amor é comprado.

Não queremos mais sofrer, mas ao mesmo tempo não sabemos mais ser felizes. Temos medo do infinito que não dura uma estação ou da imprevisibilidade das relações.

Multi telas de 51 polegadas nos mostram o topo do mundo. Estamos sobre os ombros do gigante, vivendo em um planeta de uma língua só. Eu, você, eles… Somos todos um só, conectados por cabos diretos no córtex. É muito tarde para tentarmos nos separar e recomeçar. Nosso destino é sermos quem querem que sejamos. O redator já escreveu nossas falas, o diretor de arte já elaborou nosso visual.

Somos o plástico, o vinil, a cor cítrica do verão.

Somos o perfume, o tênis e o restaurante moderno.

Não existe mais um Joe Strummer.

O The Smiths acabou.

Queime seu aparelho de mp3 na fogueira de Joana D’Arc.

Comece a anarquia.

Mas não adianta falar mais nada, você já fechou a porta e foi atender seu próximo amor.

Conto: A(corda) Cor de café, por Verônica Morta da Silva

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #1

Leia mais da autora na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/veronica-morta-da-silva/

Ela pode até estar mortinha, mas a Verônica Morta da Silva produz muito e muito bem. Vai por vários braços da literatura como conto, micro conto, poesia e novela. Começou bem cedo. Com apenas sete anos escreveu um poema, recebeu muito incentivo da mãe e nunca mais parou.

A Verônica tem um mini-livro chamado “Pequenas palavras de um grande amor”, publicado em 2005 pelo movimento virArte de poesia. Também já participou de várias antologias poéticas e foi escritora homenageada na 1ª Feira do livro Infanto-Juvenil de São Luiz Gonzaga em 2006. Além de acumular alguns troféus por participações em coletâneas de poesias pelo movimento virArte e pela Casa do Poeta.

Já viram que a moça é gabaritada, né? Como ela acredita que o reconhecimento maior de um escritor é ter seus textos lidos, sem mais delongas, fiquem com o conto abaixo e boa leitura. – Luciana Minuzzi.

Contatos da autora:

E-mail: senhorita.pariu@gmail.com | Facebook | Página Âmago

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

A(corda) Cor de café

Por Verônica Morta da Silva

Numa manhã fosca escondi as carcaças dos desejos de um velho surdo (eu). Abri as cortinas cansadas da música que tocava sem nexo. Encobri os guardanapos gastados naquela noite fria. Guardei o pó do café usado anteontem. Senti o gosto do pão estragado na minha boca em jejum. Limpei a sala, recolhi as roupas verdes do varal, tomei banho. Chamei Helena.

Retrospectiva 2014

O último post antes deste foi sobre os números do blog em 2014. Confiram aqui.

Como vocês viram, tivemos muitos acessos nos vários poemas, contos, crônicas e tudo mais postado no site. Só tenho a agradecer e fico muito feliz em ver os trabalhos apreciados e compartilhados. Comecei a trabalhar com a ideia da revista em junho, mas foi em 8 de agosto o primeiro post do site. Nele, eu contava o que era essa tal de cornucópia. Clique aqui para conferir. De lá pra cá, foram quase  30 posts com conteúdos diversos e tri bacanas.

Tem muito material ótimo no agendamento esperando para ser publicado. Então, aproveite. Reveja a lista e acesse os textos ainda não vistos ou relembre os já vistos. Logo, logo, terá muita novidade por aqui.

Falando nisso, já enviou o seu material?  Tá esperando o quê? 😀 Clique aqui e saiba como.

Autores, confiram os comentários dos leitores nos seus posts. Tem vários muito legais. 😉 – Luciana Minuzzi.

15.01.02 - Retrospectiva

Conto

CONTO: NASCIDA EM SANGUE, POR LUCIANA MINUZZI

PARCERIA: ANTES DO CEDO, POR CESAR DOMITY

CONTO: O ÚLTIMO, POR LUCIANA MINUZZI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: O CASO DA MORENA, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: A CONSULTA, POR FERNANDO RODRIGUES

CONTO: MISSÃO DE AMOR NAS MISSÕES, POR LEONARDO DIAS

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: PÉ PELADO, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: QUANDO O GAÚCHO SAI DE FÉRIAS, POR CESAR BORGES

CONTO: CÁRCERE, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: O NÚMERO DO QUARTO É 123, POR VERÔNICA MORTA DA SILVA

CONTO: AS SORRIDENTES, POR MATHEUS RIBEIRO SANTI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Poema              

PARCERIA: SOU VERSO, POR MARA GARIN

POEMA: ELA DISSE: (CUM), POR KAKO VON BOROWSKI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

POEMA E ILUSTRAÇÃO: NA TV SÓ PASSA MERDA – RECUERDOS DE LA MAÑANA, POR PEDRO LAGO.

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

POEMA: CÊ, POR EDUARDO RUEDELL

POEMA: VOCÊ EM MIM, POR LAVIOLETE ARAÚJO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Crônica

CRÔNICA: (RE) ENCONTROS, POR RAFAEL PACHECO

CRÔNICA: SOBRE A HUMANIDADE, POR SIMONE MACHADO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Coluna

COLUNA: PARA REPENSAR A POÉTICA, POR J. ROWSTOCK

Entrevista

ENTREVISTA: O MULTI-TALENTOS ALEXANDRE CARVALHO

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho2
Imagem: Luciana Minuzzi

 

Lançamentos e lembretes

ENVIE O SEU MATERIAL PARA A REVISTA CORNUCOPIA VACUA

VOCÊ VAI NO EVENTO DE LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

VOCÊ VAI AO EVENTO DE LANÇAMENTO DA CV #1?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #01

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

FELIZ NATAL, LEITORES DA CV

OS NÚMEROS DE 2014

 

 Um 2015 cheio de boas leituras pra todos nós. 🙂