Arquivo da categoria: CV Impressa #00

Retrospectiva 2014

O último post antes deste foi sobre os números do blog em 2014. Confiram aqui.

Como vocês viram, tivemos muitos acessos nos vários poemas, contos, crônicas e tudo mais postado no site. Só tenho a agradecer e fico muito feliz em ver os trabalhos apreciados e compartilhados. Comecei a trabalhar com a ideia da revista em junho, mas foi em 8 de agosto o primeiro post do site. Nele, eu contava o que era essa tal de cornucópia. Clique aqui para conferir. De lá pra cá, foram quase  30 posts com conteúdos diversos e tri bacanas.

Tem muito material ótimo no agendamento esperando para ser publicado. Então, aproveite. Reveja a lista e acesse os textos ainda não vistos ou relembre os já vistos. Logo, logo, terá muita novidade por aqui.

Falando nisso, já enviou o seu material?  Tá esperando o quê? 😀 Clique aqui e saiba como.

Autores, confiram os comentários dos leitores nos seus posts. Tem vários muito legais. 😉 – Luciana Minuzzi.

15.01.02 - Retrospectiva

Conto

CONTO: NASCIDA EM SANGUE, POR LUCIANA MINUZZI

PARCERIA: ANTES DO CEDO, POR CESAR DOMITY

CONTO: O ÚLTIMO, POR LUCIANA MINUZZI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: O CASO DA MORENA, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: A CONSULTA, POR FERNANDO RODRIGUES

CONTO: MISSÃO DE AMOR NAS MISSÕES, POR LEONARDO DIAS

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: PÉ PELADO, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: QUANDO O GAÚCHO SAI DE FÉRIAS, POR CESAR BORGES

CONTO: CÁRCERE, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: O NÚMERO DO QUARTO É 123, POR VERÔNICA MORTA DA SILVA

CONTO: AS SORRIDENTES, POR MATHEUS RIBEIRO SANTI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Poema              

PARCERIA: SOU VERSO, POR MARA GARIN

POEMA: ELA DISSE: (CUM), POR KAKO VON BOROWSKI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

POEMA E ILUSTRAÇÃO: NA TV SÓ PASSA MERDA – RECUERDOS DE LA MAÑANA, POR PEDRO LAGO.

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

POEMA: CÊ, POR EDUARDO RUEDELL

POEMA: VOCÊ EM MIM, POR LAVIOLETE ARAÚJO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Crônica

CRÔNICA: (RE) ENCONTROS, POR RAFAEL PACHECO

CRÔNICA: SOBRE A HUMANIDADE, POR SIMONE MACHADO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Coluna

COLUNA: PARA REPENSAR A POÉTICA, POR J. ROWSTOCK

Entrevista

ENTREVISTA: O MULTI-TALENTOS ALEXANDRE CARVALHO

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho2
Imagem: Luciana Minuzzi

 

Lançamentos e lembretes

ENVIE O SEU MATERIAL PARA A REVISTA CORNUCOPIA VACUA

VOCÊ VAI NO EVENTO DE LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

VOCÊ VAI AO EVENTO DE LANÇAMENTO DA CV #1?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #01

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

FELIZ NATAL, LEITORES DA CV

OS NÚMEROS DE 2014

 

 Um 2015 cheio de boas leituras pra todos nós. 🙂

Cobertura do lançamento da Revista Cornucopia Vacua #00

Eu não esperava por toda lindeza que foi este evento. Claro que eu sempre acreditei nesse projeto, mas tentei não criar muitas expectativas. Foi um final de tarde/início de noite muito lindo. Teve muita troca, boas conversas e celebração. O pessoal chegou de mansinho e tomou conta de várias mesas do Café Cristal. O lugar tem mesmo essa característica de agregar as pessoas, e, por isso, escolhi lá como o local de lançamento.

Teve gente que eu nem sabia que acompanhava a revista e tirou um tempo do seu dia para prestigiar e levar a sua. Também teve os queridos de sempre que me ajudaram nessa trajetória. Inclusive, conheci muita gente que eu só via online lá. Os escritores que mandaram materiais ou foram publicados pela revista passaram por lá, e, alguns outros, prometeram tirar os seus escritos da gaveta e enviar. (Vou cobrar, heim?) Senti falta de alguns que não puderam ir, então estou pensando em outros eventos para todos terem acesso à revista física. Estou planejando como distribuir as revistas em algum outro local como uma feira para que vocês tenham outra oportunidade.

Para os apegados ao papel, fiquem ligados na página que vai rolar evento em breve e vocês poderão pegar a sua.

Lembrando que a distribuição da revista é gratuita. Para ajudar nos custos de impressão, vendo alguns adesivos e imãs com temas da revista. Se quiserem, é só pedir. 😉

Ainda não conseguiu a sua Cornucopia Vacua impressa? Calma que é só acessar esse link e conferir o conteúdo da edição #00.

Enquanto isso, vocês podem conferir também todos os textos já postados aqui no blog. Tem coluna, poema, conto. Muita coisa boa.

Tem a sua Cornucopia Vacua  #00 em mãos? Pois aproveita, clica no link e lê a íntegra da entrevista com o Alexandre Carvalho, que é escritor, artista gráfico e jornalista. Acredito que as dicas e a trajetória dele incentivarão os escritores como me incentivaram. Aproveitem.

Só posso agradecer a todos que dedicaram um tempo do seu dia para o Lançamento da Revista Cornucopia Vacua #00. Seja de passagem, seja parando pra trocar uma ideia, estou muito feliz por cada presença. Foi muito especial. Vocês me dão forças pra querer fazer ainda mais no projeto. Agradeço muito e peço que continuem colaborando para fortalecermos ainda mais a literatura.  🙂

Fiquem com algumas poucas fotos que consegui tempo de tirar ou que o pessoal querido tirou. Se você tem algum foto do evento, posta com a hashtag  #cornucopiavacua que eu vejo e adiciono aqui com o maior prazer.

– Luciana Minuzzi.

Entrevista: o multi-talentos Alexandre Carvalho

*Esta entrevista faz parte da Revista Cornucopia Vacua #00.

Não podia ter post melhor para esse dia de lançamento da primeira revista Cornucopia Vacua impressa. Aí está a íntegra da entrevista com o oficineiro Alexandre Carvalho. Um update legal é que ele já publicou os seus contos ilustrados. Com certeza, quero publicá-los por aqui também. Espero que gostem dessa primeira entrevista aqui no CV. 🙂

Em maio, estive em uma das minhas costumeiras passagens por essa cidade envolvente que se chama Porto Alegre. Tive a chance de conhecer um baita cara que é escritor, artista gráfico e jornalista. Mas não é só isso não. Ele tem um flerte com a música. Todo esse multi-conhecimento acumulado é repartido em suas oficinas como a de escrita criativa. Em uma das charmosas livrarias de Porto Alegre, a Palavraria, conversamos por horas sobre tudo, jornalismo, quadrinhos, e, especialmente escrita. Quem é o cara? É o Alexandre Carvalho. Acredito que as dicas e a trajetória dele incentivarão os escritores como me incentivaram. Aproveitem.

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho

Luciana Minuzzi – Quero começar sabendo mais sobre a tua trajetória: por que tu escolheu fazer a faculdade de jornalismo?

Alexandre Carvalho – Isso é uma coisa interessante. Eu escrevia desde muito cedo. Comecei a trabalhar com treze anos, passava muito tempo escrevendo e guardando coisas. Não entrei na faculdade em seguida. Eu terminei e fiquei trabalhando, fazendo outras coisas. Até que com 24 eu ia fazer publicidade porque eu trabalhava em uma agência de publicidade. Na última semana, eu troquei para jornalismo. Eu pensei que com publicidade eu não poderia mudar o mundo. Era algo idealizado. Aí eu fiz vestibular, passei, comecei a fazer. Fiz para psicologia também e passei, mas preferi encarar o jornalismo. Tava gostando bastante e tal. Claro que, mais tarde, eu descobri que não podia mudar o mundo com o jornalismo. Talvez seja mais fácil mudar o mundo hoje com a publicidade, com uma boa campanha. Eu me interessava muito pela teoria da comunicação durante a faculdade. Embora, a Puc não fosse uma faculdade tão voltada para isso. Aí me formei, voltei dois anos depois para fazer um quadro de teoria ali da comunicação. Só que no meu último ano de faculdade, eu descobri a oficina do Luiz Antonio de Assis Brasil. Tinha que fazer um teste, mandar um material e eu nunca tinha escrito conto até então. Aí escrevi três contos e mandei para lá. Eu lia muito Bukowski na época, muito Rubem Fonseca.

LM – Como todo bom jornalista, né?

AC – É tava bem nessa área aí. Escrevi esses contos e fui selecionado. Comecei a me apaixonar por escrever. Aliás, a oficina foi excelente. O Assis Brasil é um grande professor e escritor, ajudou bastante. Eu terminei a oficina dele junto com a faculdade. O primeiro conto que escrevi e foi selecionado eu guardei por um bom tempo. Uns dois anos depois de ter terminado a oficina, eu peguei esse conto e continuei. Acabou surgindo uma narrativa longa daí que é A Teoria das Sombras. Lancei em 2007, aqui mesmo, na Palavraria. Nesse meio tempo, eu tava ali perto dos quarenta anos, naquela crise dos quarenta. Em tese, pela expectativa de vida, eu já tinha vivido metade da minha vida e se eu tivesse que mudar algo teria que ser naquele momento. Resolvi que ia viver de literatura. Ou, ao menos, coisas relacionadas à arte e literatura. Aí pensei: viver de vender livro, para um cara iniciante, especialmente no Brasil, é meio difícil. Eu tinha pensado já em montar uma oficina, mas era de quadrinhos, lá pelos anos 80.

LM – Já gostava de quadrinhos, então?

A – Sempre gostei muito, consumi muito, desenhava. No final dos anos 80, eu tinha essa oficina montada. Quando a gente entrou nos anos 90, os quadrinhos morreram. Foi um limbo os anos 90 para os quadrinhos.

LM – E o jornalismo em quadrinhos nem era algo imaginado na época…

AC – É, nem se pensava nisso. Agora, já está tomando conta. Grande Joe Sacco! Tem muita coisa acontecendo e muita gente não acredita nessa possibilidade do jornalismo em quadrinhos. Acham que é muito pessoal. Eu acho uma balela isso de que jornalismo tem que ser muito imparcial e objetivo. Isso não existe. O veículo não é imparcial, ele trabalha com a ideologia dele e dos anunciantes. Fora que, cada pessoa tem a sua visão. Então, digamos que agora, ali fora, alguém vem aqui dizer que acabaram de assassinar alguma pessoa na calçada. Aí, tu vai lá, olha aquilo e vai ter uma visão daquele fato com toda a tua intuição, teu histórico, tuas leituras, tua vivência. Assim como o repórter do jornal vai olhar aquilo e escrever. O fotógrafo também. Junta tudo isso, vai pro jornal, o editor vai olhar e talvez mexer em algo. Chega no leitor que já vai ser uma quarta visão daquele fato. O fato em si não existe. O fato é inócuo. Cada um tem a sua visão do fato. Claro que tu pode se esforçar ao máximo para chegar perto dos fatos porque essa é a tua função, mas eu sei que é a tua visão ou a do veículo.

Mas eu tava falando sobre o jornalismo porque surgiu o assunto do jornalismo em quadrinhos. Voltando… Eu não conseguia implantar aquela ideia da oficina de quadrinhos em lugar nenhum. Eu falava, fazia a proposta aqui e ali, mas acabei engavetando. Então, em 2007 quando lancei o livro pensei: vou fazer uma oficina ligada à literatura. Comecei a ver que o Rio Grande do Sul é um dos estados com mais cursos e oficinas relacionados a isso. Tinha de conto, poesia, só não tinha de romance. Pensei: tenho que criar uma coisa nesse sentido. Bom, pra fazer uma oficina de romance é complicado porque é algo enorme. Falo isso baseado na minha experiência porque eu levei dez anos para terminar meu livro. Claro que parando, escrevendo um pouco e fazendo outras coisas. Pensei no que é necessário para um romance, que tem que ter sempre: personagens. Então, me foquei nisso e fiz uma oficina de criação de personagens. Aí a coisa foi se transformando, foi indo, eu comecei a me ocupar mais da criatividade, de como obter criatividade porque eu via essa deficiência nos alunos. Comecei a estudar à minha maneira. Eu sempre fui autodidata, não fiz nenhum curso específico para isso.

LM – O estudo somado à tua experiência…

AC– Sim, aí comecei a criar alguns exercícios que usei para mim e alguns que eu li, peguei daqui e dali. Assim eu fiz o curso de escrita criativa. Já tinham até alguns cursos a esse respeito, mas é mais do que isso. Aí veio a ideia da desinibição. A pessoa vai ter que se soltar para escrever, antes de mesmo de ser criativo.  Faz uns quatro, cinco anos que surgiu essa ideia.

LM – E os quadrinhos voltaram nesse meio tempo.

AC – Isso. Em 2006, o Governo Federal resolveu incluir os quadrinhos na cesta básica de leituras para as escolas. Isso foi ótimo. Finalmente, alguém viu que quadrinhos não é coisa para idiota. “Entendeu ou quer que eu desenhe?” Tem até essa máxima para sacanear o quadrinista. Literatura é para intelectual, quadrinhos para quem não entende. Tem muito isso ainda. Às vezes, eu falo para alguém que não é da área que eu faço quadrinhos e acham que eu desenho para crianças, como se fosse só para crianças. A grande maioria não conhece as graphic novels atuais e relaciona quadrinhos adultos à super-heróis no máximo. Nos próprios cursos que eu dou, eu levo muito material. Sempre carrego muito material porque eu sou um consumidor enlouquecido de quadrinhos. Gosto de ter, cheirar, pegar o livro e sempre carrego muitos comigo. A cada aula, eu levo vários pro pessoal ver o que tem de diferente. Tem biografias, coisas relacionadas à antropologia e história… O Persépolis é um exemplo. Te dá um apanhado geral de toda situação histórica do lugar. É um livro que eu sempre recomendo. Aí levo outras coisas também. No Japão, por exemplo, os caras tem quadrinho pra tudo, de pornô até filosofia. É um público que consome quadrinhos seriamente. O japonês adulto lê quadrinhos como se fosse literatura. Quadrinhos não é literatura. Quadrinhos é uma coisa e literatura é outra. Tem uma coisa que eu tenho me identificado agora que é literatura ilustrada. Tô me dedicando a ilustrar meus contos.

LM – Aí entra o trabalho com café?

AC – É uma experiência que eu comecei a fazer um dia que eu estava em um shopping.

LM – Derrubou o café no papel?

AC – Foi quase isso. Eu comprei um café e tinha uma fila enorme, fiquei muito tempo esperando. Comecei a tomar o café, fiquei olhando aquela fila e comecei a desenhar. Como o café veio muito forte, eu deixei ele de lado. Quando eu olhei aquele café, aquela tintura, lembrei que eu tinha um pincel guardado. Daí eu pensei: “vou ver o que acontece”. Comecei a molhar o pincel ali e é uma aquarela, as manchas são perfeitas. A partir daí, comecei a trabalhar com outros tipos de comidas e temperos. Até, no ano passado, no Salão Internacional de Desenho de Imprensa, eu enviei umas tiras de um cozinheiro com vários alimentos que mancham como geleia, uva… Queria umas tonalidades diferentes de tinta. O café foi o que mais me agradou. Comecei a pintar em tela com o café.

LM – Eu achei incrível que dá pra fazer vários tons só com o café.

AC – É. Se tu pegar o café passado, ele tem certa textura, meio de aquarela. Se tu pegar um café instantâneo parece uma tinta à óleo.

LM – Tu tem alguma publicação de quadrinhos ou literatura ilustrada tua?

AC– Eu tô tentando organizar para que saia esse ano, mas tô indo atrás ainda. Esse material que foi selecionado para o Salão Internacional de Desenho de Imprensa que ganhou menção honrosa em 2014, são dois contos meus ilustrados em quadrinhos. Eu misturei os dois: quadrinhos e conto ilustrado. Mandei os dois e um foi selecionado e ganhou menção honrosa que é “O sótão” e eu quero publicar. E o outro é o “Café”, que não foi desenhado com café, mas se passa em um café.

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho1

LM – São bem inspiradores os cafés pra ti.

AC – Muito. Aliás, eu gosto muito de desenhar e trabalhar nos cafés. Eu vou a vários cafés diferentes e fico olhando as pessoas. Eu sempre digo para os meus alunos que não tem que ficar só em casa. Tem que ir pra rua. Mesmo que tu esteja olhando para o computador que tem um mundo inteiro por trás, ele tem o mesmo formato quadradinho o tempo inteiro. Tu vai pra rua e tu pega a energia das pessoas. Pega um pouco de conversa daqui, um pouco de conversa dali. Às vezes, eu uno essas conversas. Eu trabalho muito na rua e saiu essa história do café observando essas duas meninas conversando.

LM – E tu tem algum outro ritual de trabalho?

AC – Fora isso de sair de casa, não. Mas eu preciso de silêncio quando eu tô em casa. Eu trabalho muito de madrugada e isso é um problema sério na minha vida porque de dia eu tenho que fazer várias coisas. Meu sono não é bom por isso. De dia, eu não consigo trabalhar com telefone, campainha, isso acaba comigo. Engraçado é que se eu sentar em um café, com todo barulho, eu desconecto total. Gosto muito de sair do ar quando tô trabalhando. Meu filho tem uma banda e eu ia aos ensaios. Um dia, eu tava lá no ensaio e tinha um professor que dava aulas para eles e era pai de uma das meninas da banda. Eu comecei a desenhar ele. Depois o cara veio me dizer: “cara, eu ia te perguntar um negócio, mas resolvi não perguntar porque tu tava completamente incorporado, eu nem consegui chegar perto.” Isso acontece e é interessante. Eu gosto muito dessa função. Mesmo que eu fique muito cansado fisicamente de trabalhar, mentalmente eu tô muito bem.

LM – Inclusive, a gente costuma dizer que o jornalista trabalha 24 horas. Até os momentos de lazer, vendo um filme, podem virar pauta. Você acha que para o quadrinista também é assim?

AC – Acho que sim. Ando sempre com um caderninho por aonde vou. Cada ideia que eu tenho, eu acabo relacionando. Eu ouço uma conversa num café e penso: “isso é um diálogo perfeito”. Anoto e ás vezes uso em alguma história. A história do “Café” surgiu assim. Acho que a gente trabalha 24 horas. Tanto o jornalista, quanto o quadrinista. Porque é prazeroso. A maioria das pessoas reclama do trabalho porque fazem o que não gostam. Eu me sinto privilegiado porque posso fazer algo que me sustenta e me dá prazer. É a melhor coisa que pode existir.

LM – E contamina teu filho também que já está indo para um lado artístico.

AC – Já. Ele toca, gosta muito de videogame e faz uns vídeos sobre. Até saiu uma matéria sobre na Zero Hora. É uma coisa muito dele. Claro que eu procuro auxiliar na questão de equipamentos, mas nunca fui muito para cima dizendo “faz isso, faz aquilo”. Ele tinha uma queda por música e eu torci para que desse certo. Eu sou canhoto e ele também, então facilitava para ele utilizar meus instrumentos desde cedo. Eu não sei se ele vai ser músico ou seguir com os jogos eletrônicos, mas ele só tem treze anos, então… Ele investe muito na carreira. Qualquer mesada ele investe para equipamentos melhores. Ele tá trabalhando muito e se divertindo.

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho2

LM – Já que falamos sobre investimento na carreira… O que você acha fundamental dizer para os novos escritores?

AC – Acho que o fundamental, não só para escritor, mas, especialmente, para a área da arte, é sair da zona de conforto. Tem que ir pra rua, testar as coisas, experimentar. Vai experimentar! Pode ser que dê errado, pode ser que dê certo.  Não pode ter medo, tem que ir à luta e fazer. Tu vai dar muita cabeçada, mas numa dessas tu acerta. Teu próprio erro te leva pra uma linha que tu nem sonhava e é por lá que tu vai te dar bem. Escrever é escrever. Não é ter ideia de escrever, é sentar e escrever. Tem muitos críticos aqui no Rio Grande do Sul em relação às oficinas que dizem que tu não pode ensinar talento. Eu não me proponho a isso, tô longe disso. Ninguém ensina talento mesmo, mas tu pode despertar o talento. Essa é a questão. Aí eu pergunto sempre: se tu quiser ser pianista, qual a primeira coisa que tu vai fazer? Claro que tu pode comprar um piano e tentar, mas tu vai  te inscrever numa escola à princípio, ter aulas. Até para futebol é assim. E por que com literatura seria diferente? Essa coisa de baixar uma luz e o cara sair escrevendo… Não tem isso. É suor mesmo. Como futebol, como tocar piano, tocar guitarra, ser advogado, tem que aprender.

LM – Tu tem vontade de que aconteça com os teus alunos como aconteceu contigo? Que fizessem a tua oficina e até mudassem de carreira?

AC – Ah, eu sempre torço e trabalho para que isso aconteça. Tem alguns alunos que publicaram a partir da oficina. Isso é muita satisfação quando eu acabo vendo esse resultado. A gente acaba tendo muito contado pelo Facebook. Eles me relatam coisas ainda, mesmo os alunos de sete, oito anos atrás. Esse caminhar deles, esse retorno é ótimo pra mim. Aí é que eu vou ter um parâmetro para ver se a coisa funcionou ou não. Dar aulas não é só um ganha-pão, é algo que me satisfaz muito. Eu passo muito tempo pesquisando a respeito e eu gosto muito de relacionar áreas. O próprio desenho eu gosto de misturar com música, teatro, com a oficina de literatura e o ensino acaba ficando diferente. A minha ideia é sempre despertar o escritor e não é com regras que isso vai acontecer. Claro que tem oficinas que colocam regras, mas talvez seja pra quem já está escrevendo. Mas se tu quer soltar o cara, não pode encher ele de regra. O que travou ele, provavelmente, seja esse monte de regras, então tu tem que acabar com essas regras. Eu uso muito, até para mim, um método que é o fluxo de consciência que o Kerouac usava. Ele escreveu On the Road desse jeito. Reza a lenda que ele comprou um rolo de papel para telex, colocou na máquina de escrever e escreveu 14 dias sem parar. É uma forma de colocar a alma no papel, de vomitar no papel. Tem que colocar o que tem de bom e o que tem de podre na tua alma. Tudo que tu tem dentro de ti é bom pra ti, desde que tu saiba trabalhar com isso. Aí vai funcionando e o resultado é muito gratificante. Eu vejo muita gente crescer. O cara chega no primeiro dia tímido, encolhido, e, daqui a pouco, já tá grandão, chega com o peito mais estufado para as aulas.

LM – E os teus projetos para agora?

AC – Meu projeto é continuar me dedicando para o ensino de quadrinhos e literatura. Mas quero trabalhar com literatura ilustrada. Tô muito alucinado com isso. Eu não quero fazer livros só com letras. Ou faço quadrinhos, ou livros com texto e arte pictórica junto.

Eu tenho uma teoria e falo isso pros meus alunos: tudo que tu faz, em termos de arte, a energia que tu empregou vai ficar impregnada naquele trabalho. Essa é a diferença entre o artista e o não artista. O cara que é frio e calculista vai passar isso pras pessoas através do trabalho. Não tem explicação científica nenhuma nisso, só cósmica.  Quando tu olha, tu vai sentir a emoção do momento. Seja triste, feliz. Tem que deixar o sentimento fluir no papel, impregnar e passar para o leitor. Claro, que cada um tem as suas interpretações. O livro é como um filho. Tu faz ele e vai pro mundo, não tem muito controle.

LM – Ás vezes, tu escreve algo triste e as pessoas pensam que é cômico.

AC – Isso já aconteceu comigo. Aliás, eu descobri uma veia cômica com um conto que escrevi para a oficina do Assis Brasil que era sobre a ditadura militar. Escrevi aquilo pesado, impactante e mostrei para um amigo meu. O cara começou a ler e começou a rir, dar uma gargalhada. Aí eu fui ler e achei engraçado mesmo. Trabalhei com humor por um tempo, mas abandonei agora. Tô com algo mais filosófico, mas são fases, são picos. Não que eu nunca mais vá trabalhar com o humor. Então, os planos são esses de publicar e relacionar a imagem com a literatura.

Você vai no evento de lançamento da Revista Cornucopia Vacua #00?

Tenho o orgulho de anunciar que na próxima segunda-feira, dia 29 de setembro, é o lançamento da versão impressa do Cornucopia Vacua. A função acontecerá a partir das 18h, no Café Cristal que fica na Rua Alberto Pasqualini, número 139, antiga Rua 24 horas. A distribuição da revista é gratuita, então apareça para tomar uma xícara de café, conversar um bocado e garantir o seu exemplar. Conto com vocês para fortalecer a literatura. 😀

Confirme a sua presença no evento do Facebook pra eu saber quantos queridos vão. Clique  aqui.

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Para quem não conhece, Cornucopia Vacua é uma revista online e também impressa que busca a divulgação coletiva de artistas para levar mais poesia, ilustração, contos para o nosso cotidiano. São publicados desde autores que ainda não tem aquela coragem de tirar os escritos da gaveta até aqueles que já têm bastante estrada e premiações. Também são aceitos materiais de desenhistas, quadrinhistas e todos que fazem algum tipo de arte. Para enviar material: cornucopiavacua@gmail.com

Coluna: Para repensar a poética, por J. Rowstock

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua #00.

Josué Rowstock, estudante de Letras na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é quem encabeça o Febre de Rato, projeto independente que injeta literatura todos os dias na linha de tempo do Facebook. Além disso, escreve poesias, crônicas e romances publicados nos jornais, em livros e até nos postes pela rua. Já tive o prazer de prefaciar o seu livro De Tudo e Mais um Pouco, lançado em 2013. Reproduzo um parágrafo aqui, pois ele resume o que penso sobre a obra desse poeta marginal: “Um bom escritor é um bom tradutor do mundo e J. Rowstock é um bom escritor. E escreve em vários lugares: nestas páginas, de modo virtual, no poste pra todo mundo ver. Não se pode fugir do que esse cara tem a dizer justamente porque ele fala do nosso cotidiano. Expõe nossas vísceras com um tapa de luva.”

Site | Febre de Rato

14.09.12 - Para Repensar a Poética_JRowstock

Para repensar a Poética

Por J.Rowstock

Tudo bem gostar de livros de poesia tradicionais, eu como escritor e leitor também prefiro a maneira habitual de degustação poética literária. Entretanto, acredito que deveríamos repensar as formas de fazer poesia, de modo que estamos vivenciando uma época onde o consumo para com a poesia é cada vez mais baixo. Livros de poesia vendem tão pouco que hoje em dia as editoras só lançam quem já têm um público realmente fiel ou as já reedições de poetas consagrados de outrora.

Uma vez que a poética está um tanto quebrada ao meio, é imperativo salvar este modelo de escrita repensando a poesia. De modo que se faz necessários termos de volta aquela poesia cantada como em outros tempos, pois de fato esta poesia  que hoje temos e que estamos lendo de voz baixa e impressa apenas num papel branco ou pardo até poderá conseguir manter seus leitores fiéis, porém não ganhará mais do que isso, já que os novos leitores que mais estão acostumados a televisão e ao computador não sentirão o tesão necessário para apreciar a boa poesia.

Talvez, seja o modelo corriqueiro de lançamento de livros de poesia que faz a poética perder um tanto de leitores e estagnar a produção. De fato, temos tão bons poetas como nunca tivemos, mas para fazer essa nova geração deslanchar é preciso pensar novas formas de fazer poesia e de vender poesia.

Portanto, é imperativo buscarmos novidade se quisermos somar e multiplicar leitores de poesia no Brasil e no mundo. Repensar a poética que vêm sendo feita é preciso…

Parceria: Antes do Cedo, por Cesar Domity

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua #00.

Na primeira vez que vi o Cesar, ele cantava e tocava violão. Mais tarde, tive em mãos o seu segundo livro e primeiro publicado, Memórias de Veludo, lançado em 2010. Ele é mesmo um multiartista e posta parte do seu trabalho no Camada Abstracional, feito em parceria com Vinícius Faria.

E-mail: cesar.domity@outlook.com | Camada Abstracional

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Antes do Cedo

Por Cesar Domity

Já é antes do cedo. ‘Desperta, Fernanda’. Escolheria o corpinho. ‘Corpinho? Não use o desuso, menina’. Não “que este não lhe cabe”, disse a mãe. Juvenil, juvenil. ‘Este sol que me deixa juvenil’.

O tempo cobre de gracejos e gotículas as roseiras lá fora. Nada serve. Nem corpinho, nem calça, tampouco os minutos. ‘Para quem são estes minutos, rapariga?’. Não a ofenda, reflexo. Fernanda está sempre presa na eterna Segunda de Aureliano. Há sempre trabalho e roupas íntimas que não lhe servem.

Adulalções dispensáveis dirigidas com o combustível do moralismo. ‘Estás bonita, Fernanda’, ‘Emagreceste, Fernanda’. “Dê Schopenhauer para eles, menina. Dê Voltaire, dê um pessimismo que vele suas moralidades”. Não… ‘Obrigada, Obrigada’. “Obrigada estarás à hipocrisia, meu amor”, prosseguia Augusto. Deveria tê-lo sugado a alma, pensa ela. Deveria ter livrado-se de deus, tal qual ele. Assim como viajado para Portugal no colegial e feito a dieta que dona Agda lhe indicou:

– Só proteína, minha filha.

– Mas o que é proteína, dona Agda?

– Ah, Fernanda! Proteína… Tu sabes.

Não sabia. Nunca soube e, a isto, atribuiu seu anti-sucesso. Anti? Não… Estava muito bem. Vivia bem com a mãe. ‘Para que sair pintada assim, menina?’. Assemelhava-se a um palhaço. ‘Deixe-me, mãe. Tampouco pareço um’. Quiçá não parecesse, mas ao menos não metia medo nas crianças.

Que demonstrasse, no mínimo, calma por estas sobrancelhas. “Este elevador sempre quebra”, dizia o zelador do prédio. ‘E necessitava da minha presença dentro?’, pensou ela. Nem calça, nem elevador, nem sobrancelhas ‘que não fiz esta manhã’. Ele insistia que ela não se encabulasse, porém, não havia resistência perante à humilhação. Foram muitos anos anti-horários até o fim dos pilhas, Fernanda.

Agarrava-se forçosamente à influência dos zodíacos.

– Largue as racionalizações, amor.

Então, por que fostes embora, Augusto? Deixou Fernanda de camisola com um bilhete no espelho.

Desintegrando-se agora, realidade? Logo quando Fernanda consternava-se diante da existência. Diante do reflexo? Por que foste nascer com estas feições de uso? Há mãos por todo o crânio de Fernanda. ‘És airosa, és esbelta’, insistiam as mãos. ‘Por que me trais como um personagem de Shakespeare, reflexo?’. Não obstante aos apelos, dava sucessão aos aspectos da existência linearmente. Deixou-a quando grande em si mesma. ‘Ele foi para capital, filha?’. Não sabia. Ela mesma só desejava a contradição da existência. ‘Eu preciso de mais, Fernanda’. ‘E eu não sei, Augusto. Não sou bruxa. Vou deitar’. E deitou no sofá.

Parceria: Sou Verso, por Mara Garin

*Este poema faz parte da Revista Cornucopia Vacua #00.

Ela passa muita motivação para quem está em volta, inclusive para mim. Por isso, não poderia deixá-la fora desta primeira edição. A Mara Garin passa uma energia tão boa. Se você mantiver aberto o coração enquanto lê a sua poesia, vai sentir algo delicioso lhe invadir. Além de ter toda essa mágica, a Mara tem uma extensa carreira literária. Sob o pseudônimo de Amanda ou Aram Nirag, ela já venceu o Concurso Paulo Salzano de Poesias, em 2011, em segundo lugar, com poema Acordei, e na edição 2014, primeiro lugar com Manias. Em Cachoeira do Sul, cidade onde reside e abraçou como sua, é professora de Artes e Tecnóloga em Gestão Pública. Lá ela tem seus poemas publicados no jornal da Região desde 1992, e nas coletâneas Poetas do Vale, nas edições VII e VIII (2009 e 2011). Aqui em Santa Maria, fez parte da 3ª Edição da Revista Bang Literário, com a poesia Alma e Coração, em2013. Ainda sobra fôlego para realizar trabalho voluntário de oficinas de Poemas, nas Escolas Públicas e Particulares da Região.

Reescrevendo os Sonhos | Perfil maragarin@gmail.com

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Sou Verso

Por Mara Garin

Sou existência dentro do verso

Minotauro no labirinto da palavra

Uma criatura de mil faces

Poema disperso, diverso e controverso…

Escrevo o que vi, vivi e sofri

Que amei, plantei e inventei…

Te confundo na minha procura

Busca do sonho errante

Tua boca na nossa loucura…

Ante o caminho que interessa

É a permanencia do vazio

A estrada da emoção deserta…

Não entendo a conformidade

O canto sem ter saudade

A tua poesia incerta…

Sou existência dentro do verso

Eternidade no teu universo

Inteiro atrás desta porta!

Conto: Nascida em Sangue, por Luciana Minuzzi

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua #00.

Nada melhor para vocês me conhecerem do que um texto auto-biográfico. Fora essa passagem inicial da minha vida descrita no texto abaixo, posso contar para vocês que sou jornalista e acadêmica de produção editorial pela UFSM. Além desses títulos, sou filha da dona Jurema (que é personagem desse conto e da minha vida) e gateira assumida. Aliás, gosto de todo tipo de bicho, até insetos. Aprendi isso com a minha avó. Espero que gostem da minha reestreia como contista – escrevo desde pequena, mas isso é assunto pra outro conto.

Blog com alguns trabalhos meus como jornalista: http://luminozza.wordpress.com/

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Nascida em sangue

Por Luciana Minuzzi

Tarde de um bafo quente que só faz em um buraco como essa cidade. Por isso, apelidaram aquele vale como Garganta do Diabo. O próprio deve soprar esse calor pra cá. Enquanto a minha mãe procurava algum conforto sentada perto da janela, se abanava como podia e eu nadava tranquila no seu líquido amniótico. Só o de sempre passava na televisão, a vó assava pão na cozinha, uma passada de mão na barriga e o pensamento em se a filha seria como as crianças que corriam pela rua.

Sentadas na varanda da casa da frente, as meninas dos vizinhos batiam as mãos em algum tipo novo de adoleta. Não eram tão pequenas para se entreter com isso. Estavam naquela idade em que os meninos viram assunto e é preciso se destacar.

“Ah, isso é muito chato de brincar. Vem aqui que  vou te mostrar uma coisa muito massa que o meu pai tem.”

Entraram de fininho no quarto em que o pai dormia. Era policial militar e fazia rondas noturnas para completar o orçamento. Pegaram com o maior cuidado o seu 38 brilhante que ele sempre encerava  com uma flanelinha.

“Bang! Bang! Hahaha”

“Pára, guria. Melhor devolver pro meu  pai.”

“Ah, não vai dar nada, só se eu apontasse pra ti assim e puxass…”

BANG! Um tiro de verdade pintou de vermelho o pescoço da menina que caiu descordada. Barulho suficiente para acordar o pai da garota, que desolado, correu com a filha nos braços, banhada em sangue.

“ALGUÉM ME AJUDA PELO AMOR DE DEUS!”

A visão do homem com a filha mole e ensanguentada no colo fez a minha mãe sair daquele estado de  letargia provocado pelo calor. Pelo corpo quente, caminhou o suor frio. Farejei o medo, o sangue, o drama e também despertei do meu nado tranquilo. Ah, eu queria chegar logo nesse mundo e conhecer esses seres capazes de criar uma arma que mata outros seres. Nasci em sangue e pelo sangue. Menos de 24h depois, dei meu primeiro choro pela menina que sempre iria carregar a cicatriz daquela tarde que me fez acordar.

Até onde posso contar, minha vida seguiu assim, bem como foi nas horas que antecederam a minha chegada. Um tornado de desastres soprado pelo próprio Diabo direto da sua garganta.