Conto: O Vale, por Joe Dornelles Lambert

Que tal uma história daquelas que bem poderia se passar em uma sexta-feira 13 como hoje? O conto “O vale” narra a história de uma bela mulher cujo passado volta para lhe atormentar. Tudo sob um cenário bem conhecido pelos gaúchos. O responsável pela trama é o estudante Joe Dornelles Lambert.

Além de escrever contos como o abaixo, Joe se aventura em fotografia, poesia, até letras de músicas. Desde criança, ele já demonstrava habilidades artísticas. Foi cedo também que ele passou a se dedicar a uma atividade bem fora do comum que é a pesquisa genealógica e histórica na sua cidade natal. Já é reconhecido pelo seu trabalho na área e pretende lançar um livro que está em fase de produção. Ele já assina a co-autoria do Dicionário de Língua Portuguesa-Rênana, uma obra coletiva de vários descendentes dos imigrantes renanos do Espírito Santo, com participação de alguns gaúchos, organizada por André Kuster-Cid.

Descubra abaixo o que aconteceu com a moça que morava no vale e boa leitura. 😀

Contatos do autor:

joedlambert@gmail.com | https://www.facebook.com/joe.d.lambert

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O vale

Por Joe Dornelles Lambert.

 

Fevereiro de 2013

Rincão dos Lambert, São Francisco de Assis – RS.

 

Acto I:

Havia uma mulher tomando banho em um grande poço, em um rio que corria na entrada do profundo vale em que ela residia, com o filho. Ela era uma mulher de 33 anos, loira, de olhos azuis acinzentados, muito bela… Eram meados de 1923, uma tarde quente em que ela havia ido recolher lenha na ultima faixa de seu campo, do outro lado do rio. Ao sair das águas pode-se ver uma cicatriz em seu rosto esquerdo. Era fina, porém iniciando perto dos olhos só acabava no canto de seus lábios. Para entendermos a origem deste pequeno empecilho na sua beleza, precisamos voltar na mocidade de seus 25 anos.

No forte inverno de 1915 o esposo da mulher, homem pouquíssimo conhecido, que raramente saía, um fruto de uma paixão da então jovem de 15 anos, foi esquentar o corpo com alguns goles de Whisky, na pequena taverna que havia no “centro” da localidade interiorana. Ao voltar para casa, já perto do meio dia, o homem não mais respondia por seus atos e, aquecido com a bebida, adentrou a residência. O filho de nove anos dormia, coisa rara, enquanto a jovem mulher preparava o almoço na cozinha.

O homem, fora de si, viu no vidro quebrado da janela um motivo para a discussão, e no sono do garoto, um motivo para culpá-lo de o problema ainda não ter sido resolvido. Por de trás de seus soluços dava para distinguir o gutural “Porco Dio, Barbaridade!” – herança de seus pais, imigrantes italianos.

A mulher, vendo o perigo, sabendo que o homem já havia arrumado problemas sob efeito do álcool outras vezes antes, não pensou duas vezes antes de por em mãos o revólver que havia em cima do armário. O contra-ataque do italiano foi sacar a faca que carregava em sua cintura e rapidamente atingir a mulher, antes mesmo de ela ter conseguido se virar e engatilhar a arma em punhos, que agora jazia longe dela, no outro lado da cozinha. O golpe do italiano pegou de raspão, causando um corte extenso. A mulher, enquanto caia ao chão, levou a mão em cima do balcão e deu de mão no cutelo com o qual fatiava a carne e, já no chão, lançou-o contra o esposo. O artefato cravou no ombro do moribundo que cambaleou para fora da casa, urrando e gemendo.

Acto II:

O homem saiu correndo estrada afora até adentrar no mato. Subiu por uma trilha raramente percorrida que chegava ao cimo das montanhas, donde se via todo o vale. Antes mesmo da metade da trilha o italiano, completamente tonto, tropeça em uma raiz e cai ao chão, por onde rola por alguns metros até bater a cabeça em uma pedra. Pouco tempo depois passou pelo mesmo local o Sr. Brücken, que residia ali perto, em um pequeno rancho. Brücken, médico homeopata que curava as enfermidades da população local, quase diariamente percorria aquela floresta em procura de plantas medicinais. Muitos o consideravam gênio, outros o consideravam louco. Ao ver que o homem jogado era seu vizinho Giovanni Francesco Dellorzo, Brücken o recolheu, mesmo sabendo da opinião que o italiano tinha para consigo. Lá o homem foi curado de seus ferimentos em poucos dias. Porém, antes disso, os dois já haviam se dado conta de algo: o italiano perdera a memória quando batera a cabeça na pedra.

Dada as circunstâncias em que Dellorzo foi encontrado e ao seu histórico perturbador, o homeopata já desconfiara do que havia acontecido: o italiano chegou bêbado em casa e teve uma feia briga com a mulher. Pensou que dessa vez nada poderia ser resolvido, e, que, se a mulher por ali não aparecesse, atrás do marido beberrão, deixaria o assunto nas entrelinhas e criaria alguma história falsa ao novo hóspede.

Sr. Brücken era um homem sozinho no mundo, somente ele e suas plantas e livros. Ele tinha bons fundos monetários, porém o instinto relaxado o fazia ter aquela vida simples. Que mal teria em ter Dellorzo como empregado? Passaram-se os anos e Dellorzo, sem saber de seu passado horrível, se consolidou como ajudante e aprendiz de Brücken. Nessa vida, ele aprendeu muitas coisas e virtudes que o transformaram em um outro homem.

Acto III:

Katerina Mavr Yarkiyezemli agora estava na beira do rio, secando-se. Vestiu então o vestido branco, subiu na carroça puxada por dois cavalos de médio porte, e seguiu pela estrada, adentrando o mato, em direção á sua casa. Em meio à floresta, numa subida, a carroça que desde sempre rangia veio a quebrar uma das rodas.

Cinco minutos depois, a mulher já havia desistido de tentar consertar a carroça, cheia de lenha em cima. Ela, sem ferramentas e sozinha, sentou-se ao chão quase chorando. Neste momento cruza pelo local um homem montado em um belo cavalo pintado. Ele desce do cavalo e oferece para levar a mulher até sua casa, e que depois voltaria ao local com as ferramentas necessárias e arrumaria a carroça. A luz solar que entrava por entre as folhas das árvores mostraram seus olhos alvos e também uma grande cicatriz em seu lindo rosto. O homem hesitou com a imagem, porém ainda continuava encantado com a beleza da mulher. Algo incomodou Katerina, um sentido aguçado indecifrável, porém ela admitiu que estava necessitando muito de ajuda, tendo aceitado a proposta.

Um quilômetro e meio adiante, no fim do vale, estava a casa de Katerina Yarkiyezemli. A anfitriã entrou na escura residência e preparou um café para o errante samaritano, que aguardava à sombra de uma frondosa arvore no quintal. O desconhecido homem, encantado com a mulher, percebeu que ela era sozinha, sem ninguém ali naquele lugar. O homem nunca havia se sentido tão bem desde que fora salvo pelo velho Brücken, já falecido. Contou á ela a história de sua vida, ou ao menos o que Brücken o havia lhe inventado para esconder o real caminho percorrido por ele até ser encontrado naquela floresta, com uma pedra na cabeça e um cutelo no ombro. Ele estava seguro, somente por uma coisa, o que o velho Brücken havia lhe sussurrado antes de dar o último suspiro: “Procure abaixo da montanha”.

Katerina passou de branca a vermelha em questão de segundos, ao se dar conta de quem estava relatando essa história ali em sua frente, ali, em sua casa, oito anos depois. Como não adivinhara antes! Talvez pelo diferente corte de cabelo, umas marcas a mais no rosto, etc, mas aqueles olhos dele… Aqueles olhos verdes e impactantes eram inconfundíveis.

Acto final:

Após o café, voltam os dois para a floresta, onde jaz a carroça quebrada. Com as ferramentas trazidas da casa de Katerina, Dellorzo conserta a carroça da bela russa. Quando este se vira para guardar as ferramentas na carroça, Katerina Mavr Yarkiyezemli saca seu revólver, aquele mesmo do início da história, e num só suspiro diz:

– Você de novo não, Giovanni Francesco Dellorzo!

Os pássaros voam dos galhos das arvores assustados com os três estampidos altos, secos e contínuos. Yarkiyezemli guarda na cintura seu revolver, sobe na carroça, e volta para seu solitário rancho.

Resultado do Desafio #1

Para agitar o espírito dos artistas, propus um desafio. Leia sobre nesse post.  O prazo era curto justamente para tirar o artista daquele modo de rascunhar e guardar na gaveta. A ideia era que se produzisse algo baseado na imagem abaixo. Dois corajosos responderam à provocação e disso nasceram dois belos poemas, diferentes em suas interpretações e essências. Confira o resultado.

Fique ligado que logo, logo, vem mais desafio por aí. 😀  – Luciana Minuzzi.

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O ponto mais Longe de Tudo

Por Kako Von Borowski

Se os olhos na sua nuca

Enxergassem

Veria o lugar, o estado mental

que esteve toda a sua vida

O efeito borboleta

Já começou

da infância a repressão

Como pode não ver a diferença?

Como é possível que estes sejam…

Os únicos campos que conhece?

Se apenas houvessem outras

Melodias

Mas não se ouve nada em milhas

Que são apenas longe demais

Das almas

Que habitam meu coração

Como posso falar com todas elas?

O gramado onde caminham é tão opaco…

Será que nada vai mudar por aqui?

Talvez…

Tudo passará

O esverdeado escuro

Que vejo todos os dias

Talvez…

Passe a não ser

Tão escuro que cega

Mas isso, isso…

Só o tempo dirá

*O Kako já publicou aqui na CV. Mais do trabalho dele na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/kako-von-borowski/

Um menino perdido na solidão

Por Robert Pavão

Pois desde cedo

Eu percorro por caminhos

Caminhos que eu não sei para onde me levaram

Percorro por lugares desconhecidos

A procura de paisagens

A procura da felicidade

Eu estou perdido aqui

Perdido na alegria e na paixão

Neste lugar solitário, que me faz refletir

Refletir no que é bom para mim

Neste campo, neste paraíso

Pois eu sou apenas um menino

Um menino em busca da diversão

Pois sentir o cheiro

O cheiro das flores

O cheiro da natureza

Pois tenho em mente o que realmente é bom

Pois sei que isso é uma boa diversão

Para um menino perdido

Perdido na sua solidão

Conto: O nome, por Matheus Santi

Enquanto tem muita gente costurando lantejoulas na camiseta do bloco, tem outros preocupados com o fim das férias. É, meus amigos, logo os estudantes voltarão para a rotina de idas ao campus. Não só os universitários, mas muitos trabalhadores em férias logo trocarão a areia da praia pelos bancos dos ônibus. O longo trajeto diário nos coletivos é cansativo, mas rende boas histórias.

O conto do post de hoje é um desses causos vexatórios e engraçados que dão um alívio no peso do cotidiano. O autor é conhecido por aqui e atende por Matheus Ribeiro Santi, ou Mr. Santi. No texto abaixo, ele conta uma passagem possivelmente autobiográfica já que ele é estudante de jornalismo na UFSM. Boa leitura! 😀  – Luciana Minuzzi.

Leia outras postagens do autor na tag:

https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/matheus-ribeiro-santi/

Contatos do autor:

m.ribeirosanti@yahoo.com.br / matheusrsanti@gmail.com | Facebook | Twitter | Blog

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Nome

Por Matheus Santi

Entramos no ônibus naquele final de tarde. Um dia de outono. O sol já baixava e refletia amareladamente nas ainda verdes folhas dos áceres do campus. Sentamos nas duas poltronas à esquerda, na última fileira. Em torno de uma hora de viagem estava à nossa frente.

Conversamos sobre tudo e qualquer coisa (pedir-me para lembrar especificamente seria exigir demais de uma memória não tão boa). Bate-papos. Papos bobos. Conversas ao vento. Quotidiano. E os centímetros começavam a tornar-se metros, que viriam a tornar-se quilômetros, enquanto eu não conseguia olhar para ela devido ao baixo sol, na direção dos meus olhos. Ah, sim, ela estava ao lado da janela.

Assim seguimos, com o baixar do sol e o subir dos quilômetros (ou subir do sol e baixar dos quilômetros, dependendo do ponto de vista).

Um pouco depois da metade do caminho entra uma jovem moça. Vem até o fundo. Senta-se ao meu lado. Percebi o incômodo e hesitação de minha amiga no mesmo instante. Achei por bem não falar nada sobre. Talvez ela simplesmente tenha achado que era alguém que conhecia. Olhei para o lado para confirmar. Não. Eu, pelo menos, não a conhecia.

Alguns instantes de rápidos relances de sua parte passaram, até que finalmente sussurrou-me. Achava que conhecia aquela moça. Disse um nome e mais, que estudaram juntas, quando pequenas, nas séries iniciais. Tinha certeza que era ela. O rosto era o mesmo. Tinha que ser a Mônica!

Precisava descobrir se era ou não. A tensão só aumentava a cada metro que o ônibus percorria. Decidiu perguntar! Não… Estava com vergonha. Pediu-me para perguntar. Não! “Quem quer saber é você!” Também estava com vergonha. Tentamos continuar a conversa depois da ideia e falha, mas estava inquieta demais para pensar em qualquer outra coisa que não o nome da Mônica.

Já sei! Iniciei uma frase e no meio falei “Mônica” em alto e bom som. Minha esperança era que, como todo mundo (pelo menos, para mim), ela direcionaria o olhar ao ouvir o próprio nome. Não funcionou… Um, porque ela não olhou. Outro, porque minha amiga tampou minha boca quando estava no “ni”.

Teria que ser do jeito difícil. Ela tomou para si uns cinco minutos criadores de coragem, inclinou-se para frente e para a direita e chamou: Moça. Nada. Moça. Nada. Moça! Tínhamos sua atenção finalmente. Pediu desculpas e perguntou seu nome. A resposta veio seca: Mônica. Minha cara caiu nesse exato momento. Desconheço minha expressão, por falta de espelho, mas olhei para minha amiga. Ela surpresa, mas com um sorriso nos lábios continuou: “de Porto Alegre? Acho que estudamos juntas!” E novamente a resposta veio seca: Não.

Não!? Como assim, “não”??? Eu tentava entender e ela também. Era de uma pequena cidade ali perto, explicou. Minha amiga também explicou toda a história. Elas riram e conversaram mais um pouco.

Afinal, descobrimos o nome da Mônica. A Mônica chamava-se Mônica. Bom, acho que nem todas as Mônicas são a mesma…

Desafio #1

Como a CV tem esse caráter agitador de autores, resolvi propor alguns desafios para vocês. Pra começar, a ideia é escrever um poema, conto, crônica ou ilustrar, riscar, tacar fogo na imagem abaixo. Vale tudo que vocês imaginarem. Pode ser algo romântico, algo assustador. Fica a cargo de vocês. Para participar é preciso:

A figura vai valer até o dia 05/02. Depois disso, posto outra. O material resultante do desafio será postado no site tão logo terminar o prazo.  Se não houver participação, vou ficar muito chateada, mas não vou deixar de desafiá-los. He, he. Conto com vocês. 😀

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Conto: Nós somos o neon da noite escura, Mário Finard e arte de Pedro Lago

Se arte é provocar sentimentos em que a está vendo, o Mário Finard pode se considerar um verdadeiro artista. Para o bem ou para o mal, ele gosta de instigar o espectador e provocar os sentimentos mais diversos. Sob o pseudônimo de Nixon Vermelho, ele escreve, fala, sem nenhuma cerimônia. Esses pensamentos são compartilhados no seu blog. Confira no link abaixo.

Além disso, Mário é sócio na Pastel Store, produtora de vídeo. É um cara impaciente e dinâmico, como ele mesmo se descreve. Faz um pouco de cinema, música e literatura. Em meio a tudo isso, ainda tem tempo de amar a esposa Lavi, que já publicou aqui no site.

Como já fez parte de uma banda punk e é envolvido com arte desde sempre, essas referências são refletidas na sua obra, como vocês verão no texto abaixo.

Seguindo os nosso princípios de um artista mostrar a sua visão de outro artista, quem ilustra este conto é o Pedro Lago. Ele já participou por aqui com o poema e ilustração: Na TV só passa merda – Recuerdos de la mañana.

O trabalho do Pedro é uma mistura de texturas digitais ou de revistas com rabiscos precisos e instigantes que saem da ponta do seu lápis. Além de fazer essa “ilustração conceitual de guerrilha” como o mesmo define, ele é publicitário, outra arte que mexe com imagens e palavras. O Pedro também é colaborador do Pândego.

Contatos Mario Finard:

E-mail: mario.finard@gmail.com | Facebook Twitter | Blog

Contatos Pedro Lago:

E-mail: pedro.perini@gmail.com | Facebook Site | Página de O Pândego

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

 

Nós Somos o Neon da Noite Escura

Por Mário Finard

 

Eu não esperava que você fosse tão cedo.

Foram apenas 30 minutos de amor.

E você não sentiu nada por mim, apenas vestiu sua calcinha de oncinha, pegou seu dinheiro e foi embora. Tudo bem, agora só me deixe aqui. Sei que não sentirás remorso. Vou ficar sozinho até o amanhecer, olhando pela janela do 12º andar as luzes coloridas do parque de diversões. Luzes brilhantes, flores de eletricidade.

Posso não parecer humano, mas no fundo também só queria ser amado como em um filme barato dos anos 50. Mas isto não é mais possível, não sentimos mais nada, somos apenas os filhos da publicidade, das relações eletrônicas.

Somos marcas e números.

Somos o presente sem devolução.

Sonhávamos que éramos os novos deuses que agora andavam pela terra. Mas estávamos enganados, nossa geração é apenas o fruto do consumo desmedido. Nossos poderes estão em um cartão de plástico que carregamos como a cruz da nossa seita. Nossa igreja é um shopping center.

Nosso amor é comprado.

Não queremos mais sofrer, mas ao mesmo tempo não sabemos mais ser felizes. Temos medo do infinito que não dura uma estação ou da imprevisibilidade das relações.

Multi telas de 51 polegadas nos mostram o topo do mundo. Estamos sobre os ombros do gigante, vivendo em um planeta de uma língua só. Eu, você, eles… Somos todos um só, conectados por cabos diretos no córtex. É muito tarde para tentarmos nos separar e recomeçar. Nosso destino é sermos quem querem que sejamos. O redator já escreveu nossas falas, o diretor de arte já elaborou nosso visual.

Somos o plástico, o vinil, a cor cítrica do verão.

Somos o perfume, o tênis e o restaurante moderno.

Não existe mais um Joe Strummer.

O The Smiths acabou.

Queime seu aparelho de mp3 na fogueira de Joana D’Arc.

Comece a anarquia.

Mas não adianta falar mais nada, você já fechou a porta e foi atender seu próximo amor.

Poema: Apartamento, por Moisés Canabarro. Foto por Rafael Happke

*Estes poema e foto fazem parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #1

O autor do poema desta página, Moisés Canabarro, é um iniciante na arte das letras, mas sempre respirou arte. Mesmo que ser estudante de Engenharia Acústica na UFSM não denuncie o seu lado artístico, Moisés toca violão desde os 15 anos, já fez shows e é um leitor voraz de clássicos. Ele disse que tem sido muito gratificante o reconhecimento pelo seu trabalho e pretende continuar escrevendo e expandir sua arte para o desenho.

Poema e ilustração dá um bom casamento, assim como poema e foto. A imagem que ilustra o poema de Moisés é de Rafael Happke.  Além de ser um fotógrafo experiente e ter começado bem novo, ele é funcionário público na UFSM, lotado na TV Campus, e cursa o Mestrado em Artes Visuais da UFSM.

A foto foi feita em uma fazenda, em 2010, no interior de São Martinho da Serra, à sombra de uma grande figueira.  Rafael comentou a escolha: “Penso que a imagem é interessante porque além de me agradar esteticamente permite a identificação de todos que olham com um tempo da vida que vemos com certo saudosismo e devemos sempre resgatar: ser criança e brincar.” – Luciana Minuzzi.

Blog Rafael Happke | E-mail Moisés: mscanabarro@hotmail.com

Foto: Rafael Happke.

Apartamento

Por Moisés Canabarro

Ando pela calçada,

ao lado, comércio.

por onde mais se pode ver

confusão de cores, espasmo,

delirio,

suntuosos edificios de pedra, areia e cimento.

As pessoas que aqui transitam

Eu convivo, ou apenas sobrevivo?

Apartamentos

Aparte-me daqui.

Conto: A(corda) Cor de café, por Verônica Morta da Silva

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #1

Leia mais da autora na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/veronica-morta-da-silva/

Ela pode até estar mortinha, mas a Verônica Morta da Silva produz muito e muito bem. Vai por vários braços da literatura como conto, micro conto, poesia e novela. Começou bem cedo. Com apenas sete anos escreveu um poema, recebeu muito incentivo da mãe e nunca mais parou.

A Verônica tem um mini-livro chamado “Pequenas palavras de um grande amor”, publicado em 2005 pelo movimento virArte de poesia. Também já participou de várias antologias poéticas e foi escritora homenageada na 1ª Feira do livro Infanto-Juvenil de São Luiz Gonzaga em 2006. Além de acumular alguns troféus por participações em coletâneas de poesias pelo movimento virArte e pela Casa do Poeta.

Já viram que a moça é gabaritada, né? Como ela acredita que o reconhecimento maior de um escritor é ter seus textos lidos, sem mais delongas, fiquem com o conto abaixo e boa leitura. – Luciana Minuzzi.

Contatos da autora:

E-mail: senhorita.pariu@gmail.com | Facebook | Página Âmago

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

A(corda) Cor de café

Por Verônica Morta da Silva

Numa manhã fosca escondi as carcaças dos desejos de um velho surdo (eu). Abri as cortinas cansadas da música que tocava sem nexo. Encobri os guardanapos gastados naquela noite fria. Guardei o pó do café usado anteontem. Senti o gosto do pão estragado na minha boca em jejum. Limpei a sala, recolhi as roupas verdes do varal, tomei banho. Chamei Helena.

Poema: Notes d’un tueur, por Eduardo Ruedell

*Este poema faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #1

Leia mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/eduardo-ruedell/

Vários autores têm uma profissão bem distante do universo das letras. O autor do poema abaixo tem esse perfil e une poesia com engenharia. Eduardo Ruedell cursa Engenharia Mecânica e trabalha no Laboratório de Superfícies do Departamento de Física da UFSM. O amor pelas palavras veio antes mesmo de Eduardo prestar o vestibular. Com 12 anos, o guri já escrevia crônicas inspirado pela coluna dominical de Moacyr Scliar. Além das poesias e crônicas, Eduardo se aventura pelo conto. Ele já teve seu trabalho publicado em alguns jornais, revistas e blogs, mas a ideia é lançar um livro. Vamos ficar na expectativa para que essa ideia se realize.

Eduardo contou que os seus personagens e as situações as quais eles vivem são inspiradas no seu próprio cotidiano como uma forma de aliviar a carga emocional diária. “Basicamente, tomo como regra de vida uma citação do Romain Gary que li certa vez: ‘em vez de gritar, escrevo livros’. Mas pra mim, em vez de gritar, escrevo contos.” – Luciana Minuzzi.

Contato do autor: eduardo_ruedell@hotmail.com

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Notes d’un tueur

Por Eduardo Ruedell

Todos os devaneios do mundo

transbordam revoltosos por minha pena.

De tantas criaturas míticas pensadas,

poucas sobrevivem ao suicídio forçado

da lata de lixo.

As que ainda seguem vivas

se escondem de mim

transvestidas na forma de poemas.

Retrospectiva 2014

O último post antes deste foi sobre os números do blog em 2014. Confiram aqui.

Como vocês viram, tivemos muitos acessos nos vários poemas, contos, crônicas e tudo mais postado no site. Só tenho a agradecer e fico muito feliz em ver os trabalhos apreciados e compartilhados. Comecei a trabalhar com a ideia da revista em junho, mas foi em 8 de agosto o primeiro post do site. Nele, eu contava o que era essa tal de cornucópia. Clique aqui para conferir. De lá pra cá, foram quase  30 posts com conteúdos diversos e tri bacanas.

Tem muito material ótimo no agendamento esperando para ser publicado. Então, aproveite. Reveja a lista e acesse os textos ainda não vistos ou relembre os já vistos. Logo, logo, terá muita novidade por aqui.

Falando nisso, já enviou o seu material?  Tá esperando o quê? 😀 Clique aqui e saiba como.

Autores, confiram os comentários dos leitores nos seus posts. Tem vários muito legais. 😉 – Luciana Minuzzi.

15.01.02 - Retrospectiva

Conto

CONTO: NASCIDA EM SANGUE, POR LUCIANA MINUZZI

PARCERIA: ANTES DO CEDO, POR CESAR DOMITY

CONTO: O ÚLTIMO, POR LUCIANA MINUZZI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: O CASO DA MORENA, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: A CONSULTA, POR FERNANDO RODRIGUES

CONTO: MISSÃO DE AMOR NAS MISSÕES, POR LEONARDO DIAS

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: PÉ PELADO, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: QUANDO O GAÚCHO SAI DE FÉRIAS, POR CESAR BORGES

CONTO: CÁRCERE, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: O NÚMERO DO QUARTO É 123, POR VERÔNICA MORTA DA SILVA

CONTO: AS SORRIDENTES, POR MATHEUS RIBEIRO SANTI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Poema              

PARCERIA: SOU VERSO, POR MARA GARIN

POEMA: ELA DISSE: (CUM), POR KAKO VON BOROWSKI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

POEMA E ILUSTRAÇÃO: NA TV SÓ PASSA MERDA – RECUERDOS DE LA MAÑANA, POR PEDRO LAGO.

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

POEMA: CÊ, POR EDUARDO RUEDELL

POEMA: VOCÊ EM MIM, POR LAVIOLETE ARAÚJO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Crônica

CRÔNICA: (RE) ENCONTROS, POR RAFAEL PACHECO

CRÔNICA: SOBRE A HUMANIDADE, POR SIMONE MACHADO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Coluna

COLUNA: PARA REPENSAR A POÉTICA, POR J. ROWSTOCK

Entrevista

ENTREVISTA: O MULTI-TALENTOS ALEXANDRE CARVALHO

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho2
Imagem: Luciana Minuzzi

 

Lançamentos e lembretes

ENVIE O SEU MATERIAL PARA A REVISTA CORNUCOPIA VACUA

VOCÊ VAI NO EVENTO DE LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

VOCÊ VAI AO EVENTO DE LANÇAMENTO DA CV #1?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #01

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

FELIZ NATAL, LEITORES DA CV

OS NÚMEROS DE 2014

 

 Um 2015 cheio de boas leituras pra todos nós. 🙂

Os números de 2014

Foi um ano lindo. A Revista Cornucopia Vacua nasceu e cresceu muito graças aos leitores fiéis e autores que confiaram o seu trabalho a este projeto. Já são duas edições impressas e 16 autores no time CV. Tantos outros já enviaram seu material e tem muita coisa boa vindo aí. Agradeço muito a todos e desejo um ótimo ano. Espero vocês para fortaleceremos juntos a literatura em 2015. 😀 Confiram abaixo o relatório do WordPress com alguns números que a CV acumulou em 2014. Um abraço e feliz ano novo. – Luciana Minuzzi. 

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

14.12.31 - Relatório anual1

 

14.12.31 - Relatório anual

Clique aqui para ver o relatório completo

Revista/blog que reúne contos, colunas e entrevistas sobre o mundo da literatura.