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Conto: O Menino e a Caracola, por Tania Caballero

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Tania Caballero, também assina como Lilith Carmín, em seu trabalho geral; ou Espontânia, em seus textos voltados para os pequenos. Já foi atriz de teatro, dançarina, designer e cantora. Hoje, cursa Licenciatura em Letras e Literatura na UFSM, é modelo viva do ateliê 1234 de Artes Visuais da UFSM, trabalha em um ateliê de artesanato e lá faz diversos tipos de artes. Ainda sobra um tempinho para escrever poemas, contos curtos, e também origamis, kirigamis e caligramas.

Ufa! Fora isso, ela ainda é mãe do Samuel, de apenas cinco anos. Foi ele quem inspirou o conto abaixo. “Ele me deixa mais ensinamentos que eu a ele. (risos) O mundo na visão de uma criança é muito mais simples. Simplesmente é. Seria grandioso se os adultos não tivessem se esquecido de olhar o mundo com os olhos de uma criança”, relata Tania. Precisa dizer mais? Confira o conto abaixo e também a página da moça no Facebook.

Contatos da autora

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Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

O menino e a caracola

Por Tania Caballero (EsponTânia)

O pequeno menino que brincava com dinossauros achou uma conchinha vazia no seu quintal, se perguntava que tinha acontecido com a caracola que morava dentro, depois de tudo, esse era seu lar e a resiliente caracola já tinha um bom tamanho para andar, já não tão pequena para ser comida pelas aves, nem tão grande para morrer de anosa.

Aonde foi? –ele se perguntou- e a colocou perto do ouvido para escutar o som do mar, o vô sempre falava que dava para ouvir o mar dentro das conchas vazias. Olhou para a conchinha insossa detidamente, cheirou e sentiu o cheiro daquelas coisas que são do mar, a virou, espiou por dentro com um olho, desconfiado ouviu de novo. Lá estava aquele barulhinho, as ondas ecoando, espumas flutuando, era o mar chamando.

Ah, ela se foi porque a chamaram! Atendeu ao chamado! –rapidamente pensou. Ela nunca tinha saído do quintal, nem sabia o que era o mar.

Mas que é do mar para o mar volta, o mar é seu verdadeiro lar –concluiu- O mar chama, o vento espalha o chamado, os seres que escutam viajam para serem abraçados pelas águas deixando atrás as pesadas cargas, essa e uma maneira de facilitar a viagem. Não há como fugir do intrínseco chamado.

Mas ela chegou lá? –ainda se questionou E muito longe e ela não conhecia o caminho. Ah! Já sei –falou olhando para o chão– Foram as formigas! Elas a levaram até o mar! Pedacinho por pedacinho, finalmente a caracola chegou lá.

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Conto: O Barqueiro, por Cesar Alcázar

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Leia mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/cesar-alcazar/

O mundo de Cesar Alcázar gira em torno das letras. Quando não cria contos, trabalha como tradutor ou editor da Argonautas. Começou a escrever ficção com o objetivo de publicação em 2008. Porém, desde 2001, escrevia sobre cinema. Ele também atua movimentando a cena literária, com eventos como a Odisseia de Literatura Fantástica. Recentemente, Cesar se aventurou pela nona arte com a HQ “A Música do Quarto ao Lado” e a webcomic “Contos do Cão Negro”.

No conto abaixo, ele traz uma releitura do mito grego de Caronte, o barqueiro que transporta almas para o mundo dos mortos. “Inseri no personagem meus próprios anseios, retratando uma época em que eu estava preso a um trabalho que detestava e sonhava com algo mais”, conta o autor. Intrigante, não?

sartanawest@gmail.comBazar Pulp

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Barqueiro

Por Cesar Alcázar

Era o barqueiro no rio do infortúnio. Não entendia muito bem sua função, apenas a executava. Recebia moedas que não podia gastar, pois nada existia para ele além do barco e das águas sombrias. A existência prosseguia sem grandes acontecimentos, e o tempo nada significava. Havia apenas um problema: o sonho.

Passageiros chegavam, rostos entristecidos tão nebulosos quanto o céu escuro imutável, estendiam suas mãos com o pagamento incompreensível e partiam para o outro lado. Nunca mais os via. Bem, quase nunca. Alguns retornavam. E com eles vinha o sonho.

Certa vez, um homem magnífico, que em nada se assemelhava aos melancólicos passageiros habituais, retornou. Trazia em suas costas uma besta terrível, e estava acompanhando por uma bela mulher. As faces do casal irradiavam uma sensação desconhecida. Porém, o barqueiro limitou-se a estender a mão ossuda para coletar a moeda de pagamento.

Quem seriam aqueles homens? Heróis? Aventureiros? Deuses? O barqueiro sentia uma enorme vontade de falar com eles. Porém, esta não era sua função. Devia remar o barco, só isso.

E, quando não havia passageiros, ele adormecia e sonhava. Sonhava ser um herói, um aventureiro ou um deus. Sonhava que havia algo mais na existência do que um barco, um remo e um rio de águas sombrias.

Conto: Segredos, por Cesar Alcázar

O mundo de Cesar Alcázar gira em torno das letras. Quando não está criando algum conto, está trabalhando como tradutor ou editor da Argonautas. Não só as letras, mas as telas também fazem parte de sua trajetória. Começou a escrever ficção com o objetivo de publicação em 2008. Porém, desde 2001, escrevia sobre cinema. “Sempre fui contador/inventor de histórias (alguns poderiam me chamar de mentiroso, hehehe), então, acho que a transição das narrativas orais para a escrita foi algo natural, sem planejamento.”, conta ele.

Ele também atua movimentando a cena literária. Pelo seu trabalho como um dos organizadores e criadores da Odisseia de Literatura Fantástica recebeu o troféu Amigo do Livro, oferecido pela Câmara Rio-Grandense do Livro. Recentemente, Cesar se aventurou pela nona arte. Sua primeira HQ “A Música do Quarto ao Lado” foi lançada recentemente. A arte é de Eduardo Monteiro. Está em andamento também a “Contos do Cão Negro”, cuja arte é de Fred Rubim, e a primeira parte está disponível na página da webcomic.

Enquanto que o Cão Negro tem influência das paisagens e lendas irlandesas, no conto abaixo, a inspiração veio de Buenos Aires, como conta o autor: “A atmosfera local e a forma como os argentinos lidam com seu passado sombrio de uma ditadura militar, em contraste com o modo esquivo brasileiro de se tratar do assunto, foram a inspiração para a história”. Confiram, então, o conto “Segredos” e boa leitura. 😀

Contatos do autor:

sartanawest@gmail.com | Blog Sonora Razão

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Segredos

Por Cesar Alcázar

Agora consigo lembrar com clareza dos anos sombrios passados naquela casa em Calle San Martín. São inúmeras as memórias sufocadas dentro de minha mente por todo esse tempo. A mordaça psicológica que me calava por fim desapareceu. Sinto como se apenas hoje recebesse de volta um pedaço de mim que havia sido roubado.

Miserere mei, Deus. “Misericórdia de mim, Deus!” dizia a empregada Juanita todas as manhãs quando chegava para trabalhar na casa em que eu vivia com meus pais. Naqueles dias, eu não tinha idéia do significado das palavras da velha senhora. Quando li o jornal esta manhã, pude enfim compreender. Ela sabia o que acontecia naquele casarão opressivo de três andares construído no fim do Século XIX.

Enquanto o país mergulhava na noite mais longa e escura de sua história, vivi minhas próprias trevas. O pesadelo durou dos meus oito aos catorze anos de idade, mais precisamente de 1976 a 1982. Antes disso, minhas memórias são as de um menino normal e feliz, embora houvesse certa sensação de estranhamento. Sobretudo devido à cicatriz que atravessa o lado direito de meu corpo da cintura até o ombro, da qual jamais me foi falada a origem. Hoje tenho certeza do que se trata.

Como quase toda criança, eu tinha medo do escuro. No entanto, o medo não era infundado. Sempre tive a impressão de ser observado através das frestas na madeira, além de ouvir passos débeis e até mesmos suspiros no sótão acima do quarto quando anoitecia. O que me apavorava.

Sempre fui muito solitário. Encontrei a amizade apenas em Ana, filha de Francesca, uma empregada que morava conosco. Eu não podia ter amigos fora de casa por causa do trabalho de meu pai. “Alguém poderia usar você para chegar até ele”, lembro-me de ouvir minha mãe falar.

A situação ficou pior quando completei oito anos de idade. Se antes havia apenas o sentimento de algo estranho no ar, agora o medo era palpável. Podia ter certeza de que alguma coisa vivia no sótão e entre as paredes da casa. Minha imaginação infantil concebia um monstro horrendo e sedento de sangue prestes a saltar da parede para me pegar.

“São essas porcarias que você assiste! Devíamos proibi-los todos!” foi a explicação de meu pai.

Os filmes de Terror não tiveram sua proibição decretada nos cinemas, o veto atingiu apenas a mim. Além disso, acordei certa manhã e notei que todas as minhas historietas do Eternauta, Sargento Kirk e Guerra dos Antartes haviam desaparecido. Só muito mais tarde na vida percebi que foram tantos os desaparecimentos daqueles dias.

Nesta mesma época, meus pais começaram a brigar com frequência. Entre tantos gritos, eu conseguia entender meu pai dizendo “… o seu filho…” diversas vezes. Após cada discussão, ele subia ao sótão e ficava gritando sozinho por horas. Era possível ouvi-lo batendo os pés com raiva no piso de madeira.

Certo dia, esperei que ele descesse e pedi para que nunca mais subisse até lá por causa do monstro. Levei a maior surra de minha vida. Depois, levaram-me a um psicólogo, numa tentativa de me fazer esquecer o que chamavam de “fantasias doentias”.

Mesmo assim, continuei a vivenciar a atmosfera de medo em Calle San Martín. Entretanto, os primeiros anos de adolescência me trouxeram um pouco de paz. Fiquei cada vez mais ligado a Ana, por quem me apaixonei. Passávamos o dia inteiro junto. Como meus pais gostavam muito de Francesca, Ana teve a oportunidade de frequentar a mesma escola que eu, diminuindo meu isolamento.

Esta idade, é óbvio, não passa incólume de incidentes. No meu caso foi pior, muito pior. O fato selador de meu destino como um homem sem memória aconteceu no dia seguinte ao meu aniversário de catorze anos.

Ana estava comigo no pátio de casa. Todos os dias, ficávamos conversando no pequeno coreto até o fim da tarde. Neste dia em particular, meu pais haviam saído para um baile dos militares. Aproveitamos a ocasião e entramos noite adentro fazendo companhia um ao outro. Então, depois de tomar coragem, revelei a Ana sobre meus medos de outrora, sobre a criatura no sótão.

Ela riu sem parar durante um bom tempo. Confesso que senti vergonha por parecer tão medroso. Tão logo parou de rir, a expressão de Ana mudou. Lembro agora exatamente do que ela disse em seguida: “às vezes, minha mãe também sente coisas estranhas, como se estivesse sendo observada…”. Ana sorriu outra vez e continuou: “Já sei! Vamos subir no sótão!”.

Quando ouvi essas palavras, senti um frio na espinha. Ana, sem titubear, pegou minha mão e me levou para o terceiro andar. Apanhamos uma cadeira e a colocamos abaixo da portinhola. Assim consegui puxar o cordão que fazia a escada do sótão descer. O cheiro de mofo e podridão penetrou nossas narinas.

Com o aparato armado, ela fez questão de ir à frente. Queria demonstrar mais coragem do que eu. Tão logo se aproximou do alçapão, vimos um movimento no escuro. Ana não recuou. Acendeu um fósforo e estendeu o braço para iluminar o caminho. Então, aconteceu.

A coisa agarrou o braço da menina e tentou puxá-la para dentro do sótão. Segurei-a com força, mas não o suficiente, pois ela estava sendo tragada pela escuridão. Por sorte, Francesca ouviu os gritos e correu ao nosso socorro. A mulher conseguiu resgatar sua filha e, com uma rapidez incrível, fechou a porta do sótão. Não conseguimos ver a criatura.

Logo, Juanita apareceu. Seu rosto, uma máscara de condenação. Enquanto ela ajudava a cuidar dos ferimentos de Ana, arranhões enormes e profundos nos braços e no pescoço, nos reprovava com veemência por termos feito o que não devíamos. Francesca questionou a velha sobre o sótão. Juanita apenas respondeu: “Isso só diz respeito ao Señor Rivera!”.

Meus pais chegaram e nos encontraram reunidos na sala. Imaginei que haveria uma grande discussão, no entanto, isso não ocorreu. Meu pai pediu para conversar em particular com Juanita e Francesca. Ele não parecia abalado, e sim, frio como de costume. Mais ou menos uma hora deve ter se passado até que ele retornasse com as duas mulheres. Francesca levou a filha da sala, e fiquei lá sozinho com os três remanescentes. A frase que ouvi a seguir retumba neste instante dentro da minha cabeça: “Essa foi a gota d’água!”.

Acusaram-me de ter machucado Ana. Nunca tive a chance de falar com ela sobre o acontecido. Na manhã posterior, Ana e Francesca foram embora da Calle San Martín. Ganharam muito dinheiro para permanecerem caladas, é bastante provável. À noite, chegou minha vez de partir. Enviaram-me para uma instituição psiquiátrica, devido a supostas alucinações e comportamento violento.

Foram dois longos anos de terapias, choques e medicação pesada, até tudo o que aconteceu se tornar um vazio em minha mente. Voltei para casa como um morto-vivo.

Um ano depois, em 1985, após a queda do regime, precipitado por uma guerra atroz, meu pai foi preso e condenado. Ele cometeu suicídio na primeira semana de prisão. Minha mãe faleceu pouco tempo depois. De Juanita, Francesca e Ana nunca mais tive notícias, e se tivesse, de nada adiantaria, pois não me lembrava delas. Parecia que o segredo de Calle San Martín estava enterrado para sempre em minha memória.

Segredos como esse não podem persistir. Devemos fazer o possível para resgatar os horrores de nossos passados. Por mais que venha a doer. Enfim, tenho a minha oportunidade de reviver o passado. Pois todos estes fatos narrados aqui ressurgiram em um turbilhão de memórias quando o horror bateu à minha porta junto com o jornal hoje pela manhã. Uma ossada “quase humana” havia sido encontrada no sótão da velha casa em Calle San Martín. Meu irmão.

Desafio #2

Faz algum tempo que o Desafio #1 foi lançado. Lembra? Se não, clique aqui. O objetivo desse jogo é agitar os autores para mostrarem as suas produções. Dois corajosos responderam com belos poemas que você pode ler aqui.

No segundo desafio, resolvi propor algo menos bucólico e mais inusitado. A ideia é escrever um poema, conto, crônica ou ilustrar, riscar, tacar fogo na imagem abaixo. Vale tudo que vocês imaginarem. Pode ser algo romântico, algo assustador. Fica a cargo de vocês.

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Será um fantasma? O menino se assustou e desmaiou ou foi morto? O que são aqueles barris? Mistérios…

Para participar é preciso:

  • Soltar a imaginação;
  • Produzir algo e enviar para cornucopiavacua@gmail.com com seu nome, site ou blog em que publica seu trabalho (caso tenha) e e-mail.
  • Aguardar a resposta.

A figura vai valer até o dia 10/03. Depois disso, posto outra. O material resultante do desafio será postado no site tão logo terminar o prazo.  Se não houver participação, vou ficar muito chateada, mas não vou deixar de desafiá-los. He, he. Conto com vocês. 😀 – Luciana Minuzzi.

Conto: O nome, por Matheus Santi

Enquanto tem muita gente costurando lantejoulas na camiseta do bloco, tem outros preocupados com o fim das férias. É, meus amigos, logo os estudantes voltarão para a rotina de idas ao campus. Não só os universitários, mas muitos trabalhadores em férias logo trocarão a areia da praia pelos bancos dos ônibus. O longo trajeto diário nos coletivos é cansativo, mas rende boas histórias.

O conto do post de hoje é um desses causos vexatórios e engraçados que dão um alívio no peso do cotidiano. O autor é conhecido por aqui e atende por Matheus Ribeiro Santi, ou Mr. Santi. No texto abaixo, ele conta uma passagem possivelmente autobiográfica já que ele é estudante de jornalismo na UFSM. Boa leitura! 😀  – Luciana Minuzzi.

Leia outras postagens do autor na tag:

https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/matheus-ribeiro-santi/

Contatos do autor:

m.ribeirosanti@yahoo.com.br / matheusrsanti@gmail.com | Facebook | Twitter | Blog

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Nome

Por Matheus Santi

Entramos no ônibus naquele final de tarde. Um dia de outono. O sol já baixava e refletia amareladamente nas ainda verdes folhas dos áceres do campus. Sentamos nas duas poltronas à esquerda, na última fileira. Em torno de uma hora de viagem estava à nossa frente.

Conversamos sobre tudo e qualquer coisa (pedir-me para lembrar especificamente seria exigir demais de uma memória não tão boa). Bate-papos. Papos bobos. Conversas ao vento. Quotidiano. E os centímetros começavam a tornar-se metros, que viriam a tornar-se quilômetros, enquanto eu não conseguia olhar para ela devido ao baixo sol, na direção dos meus olhos. Ah, sim, ela estava ao lado da janela.

Assim seguimos, com o baixar do sol e o subir dos quilômetros (ou subir do sol e baixar dos quilômetros, dependendo do ponto de vista).

Um pouco depois da metade do caminho entra uma jovem moça. Vem até o fundo. Senta-se ao meu lado. Percebi o incômodo e hesitação de minha amiga no mesmo instante. Achei por bem não falar nada sobre. Talvez ela simplesmente tenha achado que era alguém que conhecia. Olhei para o lado para confirmar. Não. Eu, pelo menos, não a conhecia.

Alguns instantes de rápidos relances de sua parte passaram, até que finalmente sussurrou-me. Achava que conhecia aquela moça. Disse um nome e mais, que estudaram juntas, quando pequenas, nas séries iniciais. Tinha certeza que era ela. O rosto era o mesmo. Tinha que ser a Mônica!

Precisava descobrir se era ou não. A tensão só aumentava a cada metro que o ônibus percorria. Decidiu perguntar! Não… Estava com vergonha. Pediu-me para perguntar. Não! “Quem quer saber é você!” Também estava com vergonha. Tentamos continuar a conversa depois da ideia e falha, mas estava inquieta demais para pensar em qualquer outra coisa que não o nome da Mônica.

Já sei! Iniciei uma frase e no meio falei “Mônica” em alto e bom som. Minha esperança era que, como todo mundo (pelo menos, para mim), ela direcionaria o olhar ao ouvir o próprio nome. Não funcionou… Um, porque ela não olhou. Outro, porque minha amiga tampou minha boca quando estava no “ni”.

Teria que ser do jeito difícil. Ela tomou para si uns cinco minutos criadores de coragem, inclinou-se para frente e para a direita e chamou: Moça. Nada. Moça. Nada. Moça! Tínhamos sua atenção finalmente. Pediu desculpas e perguntou seu nome. A resposta veio seca: Mônica. Minha cara caiu nesse exato momento. Desconheço minha expressão, por falta de espelho, mas olhei para minha amiga. Ela surpresa, mas com um sorriso nos lábios continuou: “de Porto Alegre? Acho que estudamos juntas!” E novamente a resposta veio seca: Não.

Não!? Como assim, “não”??? Eu tentava entender e ela também. Era de uma pequena cidade ali perto, explicou. Minha amiga também explicou toda a história. Elas riram e conversaram mais um pouco.

Afinal, descobrimos o nome da Mônica. A Mônica chamava-se Mônica. Bom, acho que nem todas as Mônicas são a mesma…

Desafio #1

Como a CV tem esse caráter agitador de autores, resolvi propor alguns desafios para vocês. Pra começar, a ideia é escrever um poema, conto, crônica ou ilustrar, riscar, tacar fogo na imagem abaixo. Vale tudo que vocês imaginarem. Pode ser algo romântico, algo assustador. Fica a cargo de vocês. Para participar é preciso:

A figura vai valer até o dia 05/02. Depois disso, posto outra. O material resultante do desafio será postado no site tão logo terminar o prazo.  Se não houver participação, vou ficar muito chateada, mas não vou deixar de desafiá-los. He, he. Conto com vocês. 😀

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.