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Resenha: Mala Vida

“Mala Vida representa o dia-a-dia anotado em margens de cadernos. E anotar nas margens representa ignorar a pauta. E é isso que Polin Moreira faz. A frustração cotidiana oprimida pelas tarefas “dignificantes” da vida moderna canalizada na criação um material dotado apenas de margens. Nessas margens desenho e escrita se fundem para expressar a desilusão e a desesperança do mundo que nos prometem assim como toda sua construção de sonhos pré-produzidos a serem deliberadamente consumidos. Mala Vida representa o sentimento do desgosto, da insatisfação com o modelo “conto de fadas” ao qual estamos acostumados a venerar.”

Por Jorge Gularte, artista visual.

Mais imagens do zine e do trabalho do Polin no Flickr: https://www.flickr.com/photos/polinmoreira/

Clique nas imagens para ver ampliado.

Envie sua resenha para cornucopiavacua@gmail.com Preferencialmente, sobre artistas independentes e locais. 😉

Poema: Poeminha de Natal, por Diogo Ferreira

Sei que ainda falta para o Natal, mas já está na hora de pensar nos pedidos. No poema abaixo, Diogo Ferreira descreve um relato de um homem sobre seus desejos para o bom velhinho.

O autor do poema escreve desde os anos 2000. Quando não está envolvido com poemas, Diogo atua em outros campos da arte como cinema, teatro e fotografia. Além disso, ele tem uma ocupação deliciosa que é a produção de licores artesanais.

A inspiração do poema veio na época de natal propriamente e das pessoas e suas linguagens próprias com quem Diogo convive em Bagé. O autor procurou falar sobre o que um homem simples do campo desejaria nesta data. Mais além, buscou utilizar a linguagem própria que se utiliza na região da fronteira, como um portunhol. O resultado é bem interessante e você confere abaixo. Boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Contatos do autor:

diogotrincafilmes@gmail.com | Facebook

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Poeminha de Natal

Por Diogo Ferreira

Papai Noel

Eu num sei escrivinhá mui bien.

Mas só queria pedi umas cosita no más.

Que a tambera desse nem que fosse uma cria esse ano que entrá.

Que o sorro pare de me batê nas galinha.

Que as oveia não tenha saiguapé.

E ainda se num for pedi demais

Que a chinita aquela me de uma olhada

Nem que seja de revesgueio

Pra eu sabê se dá pra chegá.

Ahí juntamo os trapinho e pode sê que pro ano

Por dezembro temo um piá.

E se nasce no dia 25, é meu presente pro senhô.

E ponho o nome de Noel.

Conto: Laser Phaser, por Fernando Rodrigues

Quem nunca esqueceu um compromisso importante? E quem nunca esteve entre duas paixões? O conto de hoje retrata um fato acontecido com um personagem bem distraído.

O autor é o jornalista Fernando Rodrigues. Ele já publicou aqui pela CV. Confiram mais textos dele na tag abaixo. Também não deixem de passar no Satélite Vertebral, site no qual Fernando assina diversas postagens sobre HQs, cinema, literatura. Boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Leia mais materiais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/fernando-rodrigues/

Satélite Vertebral | Página no Facebook 

 

Laser Phaser

Por Fernando Rodrigues

 Sabem aquele momento em que o tema principal do filme Star Wars, composto por John Williams, invade o ouvido de todos que estão jogando uma partida de videogame? Pois é, foi exatamente isso o que ocorreu quando o telefone celular do cara tocou.

– Ó… Desculpem aí. É o toque do meu celular, eu atendo. – Falou o dono do telefone.

– Oi amor. – Ele disse. Imediatamente, do outro lado da linha, uma voz feminina respondeu:

– Oi amor, você sabe que dia é hoje?

– Sei sim. É dia de jogar Laser Phaser na casa do Rafinha.

– É, mas saiba que tem uma coisa mais importante que o Laser Blazer, Beiser, Crazy… Sei lá que merda é essa!

– Não querida, Laser Phaser é a coisa mais importante que existe. Nesse jogo derrotamos alienígenas que querem escravizar a raça humana. Ainda mais agora que eu acumulei cem pontos e ganhei uma pistola de antimatéria.

– Mas querido, pensa bem, Laser Gleiser é só um jogo…

Ele imediatamente retrucou:

– Não meu amor, Laser Phaser é a oportunidade que temos para defendermos o nosso planeta. Você é ecologista, certo? Você quer o bem das baleias, dos tamanduás, dos batráquios, dos anuros e de todo e qualquer animal rastejante, inclusive o do avô Dioclécio, ok? Pois é, em Laser Phaser nós derrotamos alienígenas que almejam destruir tudo isso aí.

– Eu sei, mas querido, meu amor, Brendon Fraser pode ser jogado qualquer dia e…

– Não meu amor, só pode ser jogado domingo, quando o Rafinha chama o pessoal do bairro e libera o Playstater dele.

– Mas assim mesmo, hoje ainda é dia de algo mais importante que esse tal de Laser Invader.

– Dia de sexo?

– Também, mas há algo de um valor ainda mais inestimável.

– Aniversário do Stan Lee?

– Não, seu sacripanta filho da puta, hoje é dia do nosso casamento. A igreja está lotada e só falta você. Larga essa porra de videogame cretino e vem logo para cá.

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Resultado do Desafio #2

Depois de um tempo parada, a CV voltou com tudo. 😀

Pra começar, o resultado do desafio #2. Não lembra o que é isso? Leia sobre nesse post.  A ideia é escrever, pintar, bordar, algo sobre a imagem escolhida que é a que está abaixo.

A Simone Machado respondeu ao desafio e o resultado é tão maravilhoso quanto ela é.  Confira o resultado abaixo.

Mais sobre a autora e seus trabalhos no link.

Fique ligado que logo, logo, vem mais desafio por aí. 😀

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

O Infortúnio Final de Um Pobre Diabo

Por Simone Machado

 

Vagando pela noite fria,

O corpo tremendo

O estômago roncando

E tendo apenas a lua como companhia.

 

Fora já um jovem viçoso

De cabelos longos e movimentos ágeis

Mas mais que a idade, a fome tirou-lhe o esplendoroso

E deixou-lhe tão vazio quanto os solos mais estéreis.

 

Avistou um menino adormecido na escadaria

Seria maldoso até para um pobre diabo como ele deixar uma criança no frio morrendo

Com cuidado e já bem desajeitado pegou a cria

Levou-lhe para o velho túnel em que habitava sob a padaria graças ao reverendo.

 

Vigiou-lhe o sono meio nervoso

Nunca tivera sequer uma visita

E agora tinha ali um moleque de casaco majestoso

E algo como um arrependimento lhe consumia.

 

Se soubesse quem era o menino o teria lá deixado

Mas um homem desgraçado vê seus infortúnios chegando a galope

E não demorou para que lhe chegasse à casa o exército do principado

Ante terrível visão teve o velho uma síncope.

 

Ao abrir os olhos sentiu os grilhões apertados

Coube-lhe aceitar a situação em silêncio como um bom soldado

À tarde de terça ele foi queimado a altos brados

Morrera, assim, mais um miserável injustiçado.

Poema: Rosa Nua, por Stéfano Diehl

É uma verdadeira arte escrever a letra de uma música. Compor é poetizar. O autor do post de hoje entende bem essa ligação entre som e poema. Stéfano Diehl é cantor e compositor e dos premiados, heim? Ele ganhou o prêmio do Festival das Rádios Airpub do Brasil, em 2011, com a sua primeira composição musical autoral “The Maiden of the lake”.

Tudo começou em 2010, quando ele iniciou nas aulas de técnica vocal e letras para canções. O objetivo é viver da arte e seguir os estudos no curso de Publicidade e Propaganda. Stéfano disse que é feliz em fazer o que faz e quer ir cada dia mais longe. Desejamos que seus voos sejam cada vez mais altos. Por enquanto, fiquem com o poema abaixo e boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Contatos do autor

stefanocoverdale@gmail.com | Facebook | Página As Demolições da alma 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Rosa Nua

Por Stéfano Diehl

 

Como a chegada da Primavera

Ela é o doce perfume da tentação

Coberto do orvalho do amanhecer

Vestindo apenas a luz pálida da lua que põe-se a dormir

Ela é a flor mais sensual de meu jardim

Uma musa de beleza natural que conquista no olhar

Como um verso com um acorde de violino

Rosa nua e crua, mas sem perder os espinhos afiados

Afrodite a me visitar

Em minha companhia suas pétalas macias, a flor de um doce pecado

Garota do Éden, maçã vermelha de curvas fatais

És aquela que escolhi colher esta noite.

Desafio #2

Faz algum tempo que o Desafio #1 foi lançado. Lembra? Se não, clique aqui. O objetivo desse jogo é agitar os autores para mostrarem as suas produções. Dois corajosos responderam com belos poemas que você pode ler aqui.

No segundo desafio, resolvi propor algo menos bucólico e mais inusitado. A ideia é escrever um poema, conto, crônica ou ilustrar, riscar, tacar fogo na imagem abaixo. Vale tudo que vocês imaginarem. Pode ser algo romântico, algo assustador. Fica a cargo de vocês.

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Será um fantasma? O menino se assustou e desmaiou ou foi morto? O que são aqueles barris? Mistérios…

Para participar é preciso:

  • Soltar a imaginação;
  • Produzir algo e enviar para cornucopiavacua@gmail.com com seu nome, site ou blog em que publica seu trabalho (caso tenha) e e-mail.
  • Aguardar a resposta.

A figura vai valer até o dia 10/03. Depois disso, posto outra. O material resultante do desafio será postado no site tão logo terminar o prazo.  Se não houver participação, vou ficar muito chateada, mas não vou deixar de desafiá-los. He, he. Conto com vocês. 😀 – Luciana Minuzzi.

Poema, por Bício

Temos uma estreia no post de hoje. Um novo autor mostra o seu trabalho inédito com poesia e um poema sem título. Muita novidade, né? 😀

Vocês já devem ter visto o nome dele por aí. Talvez não o de batismo que é Fabricio Requia Parzianello. Já o pseudônimo Bício encabeça vários quadrinhos produzidos por aqui, inclusive as tiras dos personagens Mano & Véio, veiculadas no Jornal A Razão. Não só quadrinhos estão no currículo do moço, mas exposições, oficinas, cineclubes e muitas publicações, como os livros de cartuns: the Formosos (2009) e Bobonecos (2011). Desde 2001, Bício é cartunista e membro da Quadrinhos S.A. Núcleo de Quadrinhistas de Santa Maria. Ele também já teve seu trabalho “Fome Zero” selecionado para o Salão Universitário de Humor de Piracicaba. Fora isso tudo, Bício se dedica à profissão de arquiteto e urbanista.

Bício contou que o seu trabalho com poesia é inédito, apesar de estar em maturação há algum tempo. A CV está muito feliz em apresentar para o mundo os seus versos. Ele disse: “Neste campo, faço poemas carregados de significado e ideias, com leitura limpa, buscando força e beleza estética, no sentido de surpreender e emocionar”. Confira abaixo e boa leitura.

Contatos do autor:

E-mail: fabriciorequia@yahoo.com.br | www.quemteperguntou.blogspot.com | www.biciocartunista.blogspot.com | www.poemasdacidade.blogspt.com

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

 

a sombra chega cedo no vale dos prédios

o céu é encoberto por nuvens de pedra

 

O labirinto é um xadrez

e comprime o céu contra a fumaça

e se mistura a este

o labirinto da sua batalha

 

às vezes orgânico

qualquer refúgio nos foge

não há escape nem abrigo

por entre muros dinâmicos

 

não se sabe pra onde vamos

e talvez não seja preciso

sei que aqui a solidão

ela se esconde pelos cantos

 

o labirinto do seu dia-a-dia

sem sabor que não te engana

seu caminho de noite-e-dia

de semana e fim-de-semana

 

(Não é esta sua vidinha?

sempre igual e diferente

quase como a minha

que não ousa nem pretende)

 

A calçada da cidade é o fundo do tédio

a origem e um fundo de mar

Se te salvaria desta prévia perda

beber arte ou paixão

(fosse um instante)

amar ou odiar

não sabemos e não há bebida ou remédio

 

Quem sabe a realidade não é boa e uma tragédia?

…nos lugares onde as nuvens são de pedra!

 

pedras retas artificiais

belas nuvens

sem vertigem

elas não se movem

(alugam-se imóveis)

que não flutuam que não chovem!

(desordem e ordem)

que não pululam ou se dissolvem

prévia perda perdida em alguma hora que se foi

antes desta cidade

 

Quem sabe a realidade não é uma boa e não é mesmo

…e não é mesmo só uma tragédia?

…nas aldeias onde as nuvens são pedras…

Resultado do Desafio #1

Para agitar o espírito dos artistas, propus um desafio. Leia sobre nesse post.  O prazo era curto justamente para tirar o artista daquele modo de rascunhar e guardar na gaveta. A ideia era que se produzisse algo baseado na imagem abaixo. Dois corajosos responderam à provocação e disso nasceram dois belos poemas, diferentes em suas interpretações e essências. Confira o resultado.

Fique ligado que logo, logo, vem mais desafio por aí. 😀  – Luciana Minuzzi.

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O ponto mais Longe de Tudo

Por Kako Von Borowski

Se os olhos na sua nuca

Enxergassem

Veria o lugar, o estado mental

que esteve toda a sua vida

O efeito borboleta

Já começou

da infância a repressão

Como pode não ver a diferença?

Como é possível que estes sejam…

Os únicos campos que conhece?

Se apenas houvessem outras

Melodias

Mas não se ouve nada em milhas

Que são apenas longe demais

Das almas

Que habitam meu coração

Como posso falar com todas elas?

O gramado onde caminham é tão opaco…

Será que nada vai mudar por aqui?

Talvez…

Tudo passará

O esverdeado escuro

Que vejo todos os dias

Talvez…

Passe a não ser

Tão escuro que cega

Mas isso, isso…

Só o tempo dirá

*O Kako já publicou aqui na CV. Mais do trabalho dele na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/kako-von-borowski/

Um menino perdido na solidão

Por Robert Pavão

Pois desde cedo

Eu percorro por caminhos

Caminhos que eu não sei para onde me levaram

Percorro por lugares desconhecidos

A procura de paisagens

A procura da felicidade

Eu estou perdido aqui

Perdido na alegria e na paixão

Neste lugar solitário, que me faz refletir

Refletir no que é bom para mim

Neste campo, neste paraíso

Pois eu sou apenas um menino

Um menino em busca da diversão

Pois sentir o cheiro

O cheiro das flores

O cheiro da natureza

Pois tenho em mente o que realmente é bom

Pois sei que isso é uma boa diversão

Para um menino perdido

Perdido na sua solidão

Conto: O nome, por Matheus Santi

Enquanto tem muita gente costurando lantejoulas na camiseta do bloco, tem outros preocupados com o fim das férias. É, meus amigos, logo os estudantes voltarão para a rotina de idas ao campus. Não só os universitários, mas muitos trabalhadores em férias logo trocarão a areia da praia pelos bancos dos ônibus. O longo trajeto diário nos coletivos é cansativo, mas rende boas histórias.

O conto do post de hoje é um desses causos vexatórios e engraçados que dão um alívio no peso do cotidiano. O autor é conhecido por aqui e atende por Matheus Ribeiro Santi, ou Mr. Santi. No texto abaixo, ele conta uma passagem possivelmente autobiográfica já que ele é estudante de jornalismo na UFSM. Boa leitura! 😀  – Luciana Minuzzi.

Leia outras postagens do autor na tag:

https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/matheus-ribeiro-santi/

Contatos do autor:

m.ribeirosanti@yahoo.com.br / matheusrsanti@gmail.com | Facebook | Twitter | Blog

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Nome

Por Matheus Santi

Entramos no ônibus naquele final de tarde. Um dia de outono. O sol já baixava e refletia amareladamente nas ainda verdes folhas dos áceres do campus. Sentamos nas duas poltronas à esquerda, na última fileira. Em torno de uma hora de viagem estava à nossa frente.

Conversamos sobre tudo e qualquer coisa (pedir-me para lembrar especificamente seria exigir demais de uma memória não tão boa). Bate-papos. Papos bobos. Conversas ao vento. Quotidiano. E os centímetros começavam a tornar-se metros, que viriam a tornar-se quilômetros, enquanto eu não conseguia olhar para ela devido ao baixo sol, na direção dos meus olhos. Ah, sim, ela estava ao lado da janela.

Assim seguimos, com o baixar do sol e o subir dos quilômetros (ou subir do sol e baixar dos quilômetros, dependendo do ponto de vista).

Um pouco depois da metade do caminho entra uma jovem moça. Vem até o fundo. Senta-se ao meu lado. Percebi o incômodo e hesitação de minha amiga no mesmo instante. Achei por bem não falar nada sobre. Talvez ela simplesmente tenha achado que era alguém que conhecia. Olhei para o lado para confirmar. Não. Eu, pelo menos, não a conhecia.

Alguns instantes de rápidos relances de sua parte passaram, até que finalmente sussurrou-me. Achava que conhecia aquela moça. Disse um nome e mais, que estudaram juntas, quando pequenas, nas séries iniciais. Tinha certeza que era ela. O rosto era o mesmo. Tinha que ser a Mônica!

Precisava descobrir se era ou não. A tensão só aumentava a cada metro que o ônibus percorria. Decidiu perguntar! Não… Estava com vergonha. Pediu-me para perguntar. Não! “Quem quer saber é você!” Também estava com vergonha. Tentamos continuar a conversa depois da ideia e falha, mas estava inquieta demais para pensar em qualquer outra coisa que não o nome da Mônica.

Já sei! Iniciei uma frase e no meio falei “Mônica” em alto e bom som. Minha esperança era que, como todo mundo (pelo menos, para mim), ela direcionaria o olhar ao ouvir o próprio nome. Não funcionou… Um, porque ela não olhou. Outro, porque minha amiga tampou minha boca quando estava no “ni”.

Teria que ser do jeito difícil. Ela tomou para si uns cinco minutos criadores de coragem, inclinou-se para frente e para a direita e chamou: Moça. Nada. Moça. Nada. Moça! Tínhamos sua atenção finalmente. Pediu desculpas e perguntou seu nome. A resposta veio seca: Mônica. Minha cara caiu nesse exato momento. Desconheço minha expressão, por falta de espelho, mas olhei para minha amiga. Ela surpresa, mas com um sorriso nos lábios continuou: “de Porto Alegre? Acho que estudamos juntas!” E novamente a resposta veio seca: Não.

Não!? Como assim, “não”??? Eu tentava entender e ela também. Era de uma pequena cidade ali perto, explicou. Minha amiga também explicou toda a história. Elas riram e conversaram mais um pouco.

Afinal, descobrimos o nome da Mônica. A Mônica chamava-se Mônica. Bom, acho que nem todas as Mônicas são a mesma…

Desafio #1

Como a CV tem esse caráter agitador de autores, resolvi propor alguns desafios para vocês. Pra começar, a ideia é escrever um poema, conto, crônica ou ilustrar, riscar, tacar fogo na imagem abaixo. Vale tudo que vocês imaginarem. Pode ser algo romântico, algo assustador. Fica a cargo de vocês. Para participar é preciso:

A figura vai valer até o dia 05/02. Depois disso, posto outra. O material resultante do desafio será postado no site tão logo terminar o prazo.  Se não houver participação, vou ficar muito chateada, mas não vou deixar de desafiá-los. He, he. Conto com vocês. 😀

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.