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Conto: Laser Phaser, por Fernando Rodrigues

Quem nunca esqueceu um compromisso importante? E quem nunca esteve entre duas paixões? O conto de hoje retrata um fato acontecido com um personagem bem distraído.

O autor é o jornalista Fernando Rodrigues. Ele já publicou aqui pela CV. Confiram mais textos dele na tag abaixo. Também não deixem de passar no Satélite Vertebral, site no qual Fernando assina diversas postagens sobre HQs, cinema, literatura. Boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Leia mais materiais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/fernando-rodrigues/

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Laser Phaser

Por Fernando Rodrigues

 Sabem aquele momento em que o tema principal do filme Star Wars, composto por John Williams, invade o ouvido de todos que estão jogando uma partida de videogame? Pois é, foi exatamente isso o que ocorreu quando o telefone celular do cara tocou.

– Ó… Desculpem aí. É o toque do meu celular, eu atendo. – Falou o dono do telefone.

– Oi amor. – Ele disse. Imediatamente, do outro lado da linha, uma voz feminina respondeu:

– Oi amor, você sabe que dia é hoje?

– Sei sim. É dia de jogar Laser Phaser na casa do Rafinha.

– É, mas saiba que tem uma coisa mais importante que o Laser Blazer, Beiser, Crazy… Sei lá que merda é essa!

– Não querida, Laser Phaser é a coisa mais importante que existe. Nesse jogo derrotamos alienígenas que querem escravizar a raça humana. Ainda mais agora que eu acumulei cem pontos e ganhei uma pistola de antimatéria.

– Mas querido, pensa bem, Laser Gleiser é só um jogo…

Ele imediatamente retrucou:

– Não meu amor, Laser Phaser é a oportunidade que temos para defendermos o nosso planeta. Você é ecologista, certo? Você quer o bem das baleias, dos tamanduás, dos batráquios, dos anuros e de todo e qualquer animal rastejante, inclusive o do avô Dioclécio, ok? Pois é, em Laser Phaser nós derrotamos alienígenas que almejam destruir tudo isso aí.

– Eu sei, mas querido, meu amor, Brendon Fraser pode ser jogado qualquer dia e…

– Não meu amor, só pode ser jogado domingo, quando o Rafinha chama o pessoal do bairro e libera o Playstater dele.

– Mas assim mesmo, hoje ainda é dia de algo mais importante que esse tal de Laser Invader.

– Dia de sexo?

– Também, mas há algo de um valor ainda mais inestimável.

– Aniversário do Stan Lee?

– Não, seu sacripanta filho da puta, hoje é dia do nosso casamento. A igreja está lotada e só falta você. Larga essa porra de videogame cretino e vem logo para cá.

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.
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Conto: O nome, por Matheus Santi

Enquanto tem muita gente costurando lantejoulas na camiseta do bloco, tem outros preocupados com o fim das férias. É, meus amigos, logo os estudantes voltarão para a rotina de idas ao campus. Não só os universitários, mas muitos trabalhadores em férias logo trocarão a areia da praia pelos bancos dos ônibus. O longo trajeto diário nos coletivos é cansativo, mas rende boas histórias.

O conto do post de hoje é um desses causos vexatórios e engraçados que dão um alívio no peso do cotidiano. O autor é conhecido por aqui e atende por Matheus Ribeiro Santi, ou Mr. Santi. No texto abaixo, ele conta uma passagem possivelmente autobiográfica já que ele é estudante de jornalismo na UFSM. Boa leitura! 😀  – Luciana Minuzzi.

Leia outras postagens do autor na tag:

https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/matheus-ribeiro-santi/

Contatos do autor:

m.ribeirosanti@yahoo.com.br / matheusrsanti@gmail.com | Facebook | Twitter | Blog

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Nome

Por Matheus Santi

Entramos no ônibus naquele final de tarde. Um dia de outono. O sol já baixava e refletia amareladamente nas ainda verdes folhas dos áceres do campus. Sentamos nas duas poltronas à esquerda, na última fileira. Em torno de uma hora de viagem estava à nossa frente.

Conversamos sobre tudo e qualquer coisa (pedir-me para lembrar especificamente seria exigir demais de uma memória não tão boa). Bate-papos. Papos bobos. Conversas ao vento. Quotidiano. E os centímetros começavam a tornar-se metros, que viriam a tornar-se quilômetros, enquanto eu não conseguia olhar para ela devido ao baixo sol, na direção dos meus olhos. Ah, sim, ela estava ao lado da janela.

Assim seguimos, com o baixar do sol e o subir dos quilômetros (ou subir do sol e baixar dos quilômetros, dependendo do ponto de vista).

Um pouco depois da metade do caminho entra uma jovem moça. Vem até o fundo. Senta-se ao meu lado. Percebi o incômodo e hesitação de minha amiga no mesmo instante. Achei por bem não falar nada sobre. Talvez ela simplesmente tenha achado que era alguém que conhecia. Olhei para o lado para confirmar. Não. Eu, pelo menos, não a conhecia.

Alguns instantes de rápidos relances de sua parte passaram, até que finalmente sussurrou-me. Achava que conhecia aquela moça. Disse um nome e mais, que estudaram juntas, quando pequenas, nas séries iniciais. Tinha certeza que era ela. O rosto era o mesmo. Tinha que ser a Mônica!

Precisava descobrir se era ou não. A tensão só aumentava a cada metro que o ônibus percorria. Decidiu perguntar! Não… Estava com vergonha. Pediu-me para perguntar. Não! “Quem quer saber é você!” Também estava com vergonha. Tentamos continuar a conversa depois da ideia e falha, mas estava inquieta demais para pensar em qualquer outra coisa que não o nome da Mônica.

Já sei! Iniciei uma frase e no meio falei “Mônica” em alto e bom som. Minha esperança era que, como todo mundo (pelo menos, para mim), ela direcionaria o olhar ao ouvir o próprio nome. Não funcionou… Um, porque ela não olhou. Outro, porque minha amiga tampou minha boca quando estava no “ni”.

Teria que ser do jeito difícil. Ela tomou para si uns cinco minutos criadores de coragem, inclinou-se para frente e para a direita e chamou: Moça. Nada. Moça. Nada. Moça! Tínhamos sua atenção finalmente. Pediu desculpas e perguntou seu nome. A resposta veio seca: Mônica. Minha cara caiu nesse exato momento. Desconheço minha expressão, por falta de espelho, mas olhei para minha amiga. Ela surpresa, mas com um sorriso nos lábios continuou: “de Porto Alegre? Acho que estudamos juntas!” E novamente a resposta veio seca: Não.

Não!? Como assim, “não”??? Eu tentava entender e ela também. Era de uma pequena cidade ali perto, explicou. Minha amiga também explicou toda a história. Elas riram e conversaram mais um pouco.

Afinal, descobrimos o nome da Mônica. A Mônica chamava-se Mônica. Bom, acho que nem todas as Mônicas são a mesma…