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Conto: O Menino e a Caracola, por Tania Caballero

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Tania Caballero, também assina como Lilith Carmín, em seu trabalho geral; ou Espontânia, em seus textos voltados para os pequenos. Já foi atriz de teatro, dançarina, designer e cantora. Hoje, cursa Licenciatura em Letras e Literatura na UFSM, é modelo viva do ateliê 1234 de Artes Visuais da UFSM, trabalha em um ateliê de artesanato e lá faz diversos tipos de artes. Ainda sobra um tempinho para escrever poemas, contos curtos, e também origamis, kirigamis e caligramas.

Ufa! Fora isso, ela ainda é mãe do Samuel, de apenas cinco anos. Foi ele quem inspirou o conto abaixo. “Ele me deixa mais ensinamentos que eu a ele. (risos) O mundo na visão de uma criança é muito mais simples. Simplesmente é. Seria grandioso se os adultos não tivessem se esquecido de olhar o mundo com os olhos de uma criança”, relata Tania. Precisa dizer mais? Confira o conto abaixo e também a página da moça no Facebook.

Contatos da autora

tania.tco@gmail.com | Página no Facebook

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

O menino e a caracola

Por Tania Caballero (EsponTânia)

O pequeno menino que brincava com dinossauros achou uma conchinha vazia no seu quintal, se perguntava que tinha acontecido com a caracola que morava dentro, depois de tudo, esse era seu lar e a resiliente caracola já tinha um bom tamanho para andar, já não tão pequena para ser comida pelas aves, nem tão grande para morrer de anosa.

Aonde foi? –ele se perguntou- e a colocou perto do ouvido para escutar o som do mar, o vô sempre falava que dava para ouvir o mar dentro das conchas vazias. Olhou para a conchinha insossa detidamente, cheirou e sentiu o cheiro daquelas coisas que são do mar, a virou, espiou por dentro com um olho, desconfiado ouviu de novo. Lá estava aquele barulhinho, as ondas ecoando, espumas flutuando, era o mar chamando.

Ah, ela se foi porque a chamaram! Atendeu ao chamado! –rapidamente pensou. Ela nunca tinha saído do quintal, nem sabia o que era o mar.

Mas que é do mar para o mar volta, o mar é seu verdadeiro lar –concluiu- O mar chama, o vento espalha o chamado, os seres que escutam viajam para serem abraçados pelas águas deixando atrás as pesadas cargas, essa e uma maneira de facilitar a viagem. Não há como fugir do intrínseco chamado.

Mas ela chegou lá? –ainda se questionou E muito longe e ela não conhecia o caminho. Ah! Já sei –falou olhando para o chão– Foram as formigas! Elas a levaram até o mar! Pedacinho por pedacinho, finalmente a caracola chegou lá.

Conto: O Barqueiro, por Cesar Alcázar

*Este conto faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Leia mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/cesar-alcazar/

O mundo de Cesar Alcázar gira em torno das letras. Quando não cria contos, trabalha como tradutor ou editor da Argonautas. Começou a escrever ficção com o objetivo de publicação em 2008. Porém, desde 2001, escrevia sobre cinema. Ele também atua movimentando a cena literária, com eventos como a Odisseia de Literatura Fantástica. Recentemente, Cesar se aventurou pela nona arte com a HQ “A Música do Quarto ao Lado” e a webcomic “Contos do Cão Negro”.

No conto abaixo, ele traz uma releitura do mito grego de Caronte, o barqueiro que transporta almas para o mundo dos mortos. “Inseri no personagem meus próprios anseios, retratando uma época em que eu estava preso a um trabalho que detestava e sonhava com algo mais”, conta o autor. Intrigante, não?

sartanawest@gmail.comBazar Pulp

 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O Barqueiro

Por Cesar Alcázar

Era o barqueiro no rio do infortúnio. Não entendia muito bem sua função, apenas a executava. Recebia moedas que não podia gastar, pois nada existia para ele além do barco e das águas sombrias. A existência prosseguia sem grandes acontecimentos, e o tempo nada significava. Havia apenas um problema: o sonho.

Passageiros chegavam, rostos entristecidos tão nebulosos quanto o céu escuro imutável, estendiam suas mãos com o pagamento incompreensível e partiam para o outro lado. Nunca mais os via. Bem, quase nunca. Alguns retornavam. E com eles vinha o sonho.

Certa vez, um homem magnífico, que em nada se assemelhava aos melancólicos passageiros habituais, retornou. Trazia em suas costas uma besta terrível, e estava acompanhando por uma bela mulher. As faces do casal irradiavam uma sensação desconhecida. Porém, o barqueiro limitou-se a estender a mão ossuda para coletar a moeda de pagamento.

Quem seriam aqueles homens? Heróis? Aventureiros? Deuses? O barqueiro sentia uma enorme vontade de falar com eles. Porém, esta não era sua função. Devia remar o barco, só isso.

E, quando não havia passageiros, ele adormecia e sonhava. Sonhava ser um herói, um aventureiro ou um deus. Sonhava que havia algo mais na existência do que um barco, um remo e um rio de águas sombrias.

Poema: Eu Beijei Estrelas, por Kako Von Borowski

*Este poema faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Leia mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/kako-von-borowski/

O Kako já é um parceiro querido aqui da CV. No site, vocês poderão conferir vários trabalhos dele. Como é um multiartista que compõe letras e toca guitarra, ele sempre traz algo de muito plural na sua arte pelas suas muitas influências musicais – de Beethoven a Pink Floyd – e literárias – como Edgar Allan Poe. Sobre o melhor e o pior de ser artista, Kako respondeu: “O melhor é depois de terminar algo e se sentir feliz e triste ao mesmo tempo, olhando para o que fez, o sentimento de realização, parece que entramos e saímos de uma jornada incrível por cada nova parte da gente que estamos a conhecer naquele momento”. Confiram o resultado dessa jornada abaixo.

matheuskakomusica@gmail.com | Facebook 

Imagem: British Library.
The Half Hour Library of Travel, Nature and Science for young readers

Eu Beijei Estrelas

Por Kako Von Borowski

As estrelas brilham alto no céu

Tão perto que posso sentir

Seu cheiro e seu calor

Que me envolve e acalenta

Nesse único e definitivo momento

Eu sinto seu corpo, feito de luz

Pele e unha, mas ainda sim

Tudo é tão escuro e macio

Eu abraço forte e com calma

Reaprendemos a tocar e respirar

E cada segundo que passa…

Dói, dói a antecipação

De explorar

O desconhecido

Estrelas brilham em nosso corpo

E o seu líquido eu espalho

Com todo o meu rosto

Os meus lábios e seus dedos

Hoje fazem chover pra sempre

Mas a tempestade existe aqui agora

E Nenhum ruído pode sequer

Superar todos os nossos

E nada de nada mais pode pará-la

Nem o maior terremoto daqui

Nem a maior autoridade

O mistério febril vai se revelar

Depois dos trovões que batem

Nos nossos ouvidos

Eles batem, batem, batem, batem…

O alívio desce e caminha sobre

Nossas costas molhadas

Era, enfim, a chuva.

Conto: O Vale, por Joe Dornelles Lambert

Que tal uma história daquelas que bem poderia se passar em uma sexta-feira 13 como hoje? O conto “O vale” narra a história de uma bela mulher cujo passado volta para lhe atormentar. Tudo sob um cenário bem conhecido pelos gaúchos. O responsável pela trama é o estudante Joe Dornelles Lambert.

Além de escrever contos como o abaixo, Joe se aventura em fotografia, poesia, até letras de músicas. Desde criança, ele já demonstrava habilidades artísticas. Foi cedo também que ele passou a se dedicar a uma atividade bem fora do comum que é a pesquisa genealógica e histórica na sua cidade natal. Já é reconhecido pelo seu trabalho na área e pretende lançar um livro que está em fase de produção. Ele já assina a co-autoria do Dicionário de Língua Portuguesa-Rênana, uma obra coletiva de vários descendentes dos imigrantes renanos do Espírito Santo, com participação de alguns gaúchos, organizada por André Kuster-Cid.

Descubra abaixo o que aconteceu com a moça que morava no vale e boa leitura. 😀

Contatos do autor:

joedlambert@gmail.com | https://www.facebook.com/joe.d.lambert

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O vale

Por Joe Dornelles Lambert.

 

Fevereiro de 2013

Rincão dos Lambert, São Francisco de Assis – RS.

 

Acto I:

Havia uma mulher tomando banho em um grande poço, em um rio que corria na entrada do profundo vale em que ela residia, com o filho. Ela era uma mulher de 33 anos, loira, de olhos azuis acinzentados, muito bela… Eram meados de 1923, uma tarde quente em que ela havia ido recolher lenha na ultima faixa de seu campo, do outro lado do rio. Ao sair das águas pode-se ver uma cicatriz em seu rosto esquerdo. Era fina, porém iniciando perto dos olhos só acabava no canto de seus lábios. Para entendermos a origem deste pequeno empecilho na sua beleza, precisamos voltar na mocidade de seus 25 anos.

No forte inverno de 1915 o esposo da mulher, homem pouquíssimo conhecido, que raramente saía, um fruto de uma paixão da então jovem de 15 anos, foi esquentar o corpo com alguns goles de Whisky, na pequena taverna que havia no “centro” da localidade interiorana. Ao voltar para casa, já perto do meio dia, o homem não mais respondia por seus atos e, aquecido com a bebida, adentrou a residência. O filho de nove anos dormia, coisa rara, enquanto a jovem mulher preparava o almoço na cozinha.

O homem, fora de si, viu no vidro quebrado da janela um motivo para a discussão, e no sono do garoto, um motivo para culpá-lo de o problema ainda não ter sido resolvido. Por de trás de seus soluços dava para distinguir o gutural “Porco Dio, Barbaridade!” – herança de seus pais, imigrantes italianos.

A mulher, vendo o perigo, sabendo que o homem já havia arrumado problemas sob efeito do álcool outras vezes antes, não pensou duas vezes antes de por em mãos o revólver que havia em cima do armário. O contra-ataque do italiano foi sacar a faca que carregava em sua cintura e rapidamente atingir a mulher, antes mesmo de ela ter conseguido se virar e engatilhar a arma em punhos, que agora jazia longe dela, no outro lado da cozinha. O golpe do italiano pegou de raspão, causando um corte extenso. A mulher, enquanto caia ao chão, levou a mão em cima do balcão e deu de mão no cutelo com o qual fatiava a carne e, já no chão, lançou-o contra o esposo. O artefato cravou no ombro do moribundo que cambaleou para fora da casa, urrando e gemendo.

Acto II:

O homem saiu correndo estrada afora até adentrar no mato. Subiu por uma trilha raramente percorrida que chegava ao cimo das montanhas, donde se via todo o vale. Antes mesmo da metade da trilha o italiano, completamente tonto, tropeça em uma raiz e cai ao chão, por onde rola por alguns metros até bater a cabeça em uma pedra. Pouco tempo depois passou pelo mesmo local o Sr. Brücken, que residia ali perto, em um pequeno rancho. Brücken, médico homeopata que curava as enfermidades da população local, quase diariamente percorria aquela floresta em procura de plantas medicinais. Muitos o consideravam gênio, outros o consideravam louco. Ao ver que o homem jogado era seu vizinho Giovanni Francesco Dellorzo, Brücken o recolheu, mesmo sabendo da opinião que o italiano tinha para consigo. Lá o homem foi curado de seus ferimentos em poucos dias. Porém, antes disso, os dois já haviam se dado conta de algo: o italiano perdera a memória quando batera a cabeça na pedra.

Dada as circunstâncias em que Dellorzo foi encontrado e ao seu histórico perturbador, o homeopata já desconfiara do que havia acontecido: o italiano chegou bêbado em casa e teve uma feia briga com a mulher. Pensou que dessa vez nada poderia ser resolvido, e, que, se a mulher por ali não aparecesse, atrás do marido beberrão, deixaria o assunto nas entrelinhas e criaria alguma história falsa ao novo hóspede.

Sr. Brücken era um homem sozinho no mundo, somente ele e suas plantas e livros. Ele tinha bons fundos monetários, porém o instinto relaxado o fazia ter aquela vida simples. Que mal teria em ter Dellorzo como empregado? Passaram-se os anos e Dellorzo, sem saber de seu passado horrível, se consolidou como ajudante e aprendiz de Brücken. Nessa vida, ele aprendeu muitas coisas e virtudes que o transformaram em um outro homem.

Acto III:

Katerina Mavr Yarkiyezemli agora estava na beira do rio, secando-se. Vestiu então o vestido branco, subiu na carroça puxada por dois cavalos de médio porte, e seguiu pela estrada, adentrando o mato, em direção á sua casa. Em meio à floresta, numa subida, a carroça que desde sempre rangia veio a quebrar uma das rodas.

Cinco minutos depois, a mulher já havia desistido de tentar consertar a carroça, cheia de lenha em cima. Ela, sem ferramentas e sozinha, sentou-se ao chão quase chorando. Neste momento cruza pelo local um homem montado em um belo cavalo pintado. Ele desce do cavalo e oferece para levar a mulher até sua casa, e que depois voltaria ao local com as ferramentas necessárias e arrumaria a carroça. A luz solar que entrava por entre as folhas das árvores mostraram seus olhos alvos e também uma grande cicatriz em seu lindo rosto. O homem hesitou com a imagem, porém ainda continuava encantado com a beleza da mulher. Algo incomodou Katerina, um sentido aguçado indecifrável, porém ela admitiu que estava necessitando muito de ajuda, tendo aceitado a proposta.

Um quilômetro e meio adiante, no fim do vale, estava a casa de Katerina Yarkiyezemli. A anfitriã entrou na escura residência e preparou um café para o errante samaritano, que aguardava à sombra de uma frondosa arvore no quintal. O desconhecido homem, encantado com a mulher, percebeu que ela era sozinha, sem ninguém ali naquele lugar. O homem nunca havia se sentido tão bem desde que fora salvo pelo velho Brücken, já falecido. Contou á ela a história de sua vida, ou ao menos o que Brücken o havia lhe inventado para esconder o real caminho percorrido por ele até ser encontrado naquela floresta, com uma pedra na cabeça e um cutelo no ombro. Ele estava seguro, somente por uma coisa, o que o velho Brücken havia lhe sussurrado antes de dar o último suspiro: “Procure abaixo da montanha”.

Katerina passou de branca a vermelha em questão de segundos, ao se dar conta de quem estava relatando essa história ali em sua frente, ali, em sua casa, oito anos depois. Como não adivinhara antes! Talvez pelo diferente corte de cabelo, umas marcas a mais no rosto, etc, mas aqueles olhos dele… Aqueles olhos verdes e impactantes eram inconfundíveis.

Acto final:

Após o café, voltam os dois para a floresta, onde jaz a carroça quebrada. Com as ferramentas trazidas da casa de Katerina, Dellorzo conserta a carroça da bela russa. Quando este se vira para guardar as ferramentas na carroça, Katerina Mavr Yarkiyezemli saca seu revólver, aquele mesmo do início da história, e num só suspiro diz:

– Você de novo não, Giovanni Francesco Dellorzo!

Os pássaros voam dos galhos das arvores assustados com os três estampidos altos, secos e contínuos. Yarkiyezemli guarda na cintura seu revolver, sobe na carroça, e volta para seu solitário rancho.

Resultado do Desafio #1

Para agitar o espírito dos artistas, propus um desafio. Leia sobre nesse post.  O prazo era curto justamente para tirar o artista daquele modo de rascunhar e guardar na gaveta. A ideia era que se produzisse algo baseado na imagem abaixo. Dois corajosos responderam à provocação e disso nasceram dois belos poemas, diferentes em suas interpretações e essências. Confira o resultado.

Fique ligado que logo, logo, vem mais desafio por aí. 😀  – Luciana Minuzzi.

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

O ponto mais Longe de Tudo

Por Kako Von Borowski

Se os olhos na sua nuca

Enxergassem

Veria o lugar, o estado mental

que esteve toda a sua vida

O efeito borboleta

Já começou

da infância a repressão

Como pode não ver a diferença?

Como é possível que estes sejam…

Os únicos campos que conhece?

Se apenas houvessem outras

Melodias

Mas não se ouve nada em milhas

Que são apenas longe demais

Das almas

Que habitam meu coração

Como posso falar com todas elas?

O gramado onde caminham é tão opaco…

Será que nada vai mudar por aqui?

Talvez…

Tudo passará

O esverdeado escuro

Que vejo todos os dias

Talvez…

Passe a não ser

Tão escuro que cega

Mas isso, isso…

Só o tempo dirá

*O Kako já publicou aqui na CV. Mais do trabalho dele na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/kako-von-borowski/

Um menino perdido na solidão

Por Robert Pavão

Pois desde cedo

Eu percorro por caminhos

Caminhos que eu não sei para onde me levaram

Percorro por lugares desconhecidos

A procura de paisagens

A procura da felicidade

Eu estou perdido aqui

Perdido na alegria e na paixão

Neste lugar solitário, que me faz refletir

Refletir no que é bom para mim

Neste campo, neste paraíso

Pois eu sou apenas um menino

Um menino em busca da diversão

Pois sentir o cheiro

O cheiro das flores

O cheiro da natureza

Pois tenho em mente o que realmente é bom

Pois sei que isso é uma boa diversão

Para um menino perdido

Perdido na sua solidão

Retrospectiva 2014

O último post antes deste foi sobre os números do blog em 2014. Confiram aqui.

Como vocês viram, tivemos muitos acessos nos vários poemas, contos, crônicas e tudo mais postado no site. Só tenho a agradecer e fico muito feliz em ver os trabalhos apreciados e compartilhados. Comecei a trabalhar com a ideia da revista em junho, mas foi em 8 de agosto o primeiro post do site. Nele, eu contava o que era essa tal de cornucópia. Clique aqui para conferir. De lá pra cá, foram quase  30 posts com conteúdos diversos e tri bacanas.

Tem muito material ótimo no agendamento esperando para ser publicado. Então, aproveite. Reveja a lista e acesse os textos ainda não vistos ou relembre os já vistos. Logo, logo, terá muita novidade por aqui.

Falando nisso, já enviou o seu material?  Tá esperando o quê? 😀 Clique aqui e saiba como.

Autores, confiram os comentários dos leitores nos seus posts. Tem vários muito legais. 😉 – Luciana Minuzzi.

15.01.02 - Retrospectiva

Conto

CONTO: NASCIDA EM SANGUE, POR LUCIANA MINUZZI

PARCERIA: ANTES DO CEDO, POR CESAR DOMITY

CONTO: O ÚLTIMO, POR LUCIANA MINUZZI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: O CASO DA MORENA, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: A CONSULTA, POR FERNANDO RODRIGUES

CONTO: MISSÃO DE AMOR NAS MISSÕES, POR LEONARDO DIAS

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

CONTO: PÉ PELADO, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: QUANDO O GAÚCHO SAI DE FÉRIAS, POR CESAR BORGES

CONTO: CÁRCERE, POR LUCIANA MINUZZI

CONTO: O NÚMERO DO QUARTO É 123, POR VERÔNICA MORTA DA SILVA

CONTO: AS SORRIDENTES, POR MATHEUS RIBEIRO SANTI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Poema              

PARCERIA: SOU VERSO, POR MARA GARIN

POEMA: ELA DISSE: (CUM), POR KAKO VON BOROWSKI

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

POEMA E ILUSTRAÇÃO: NA TV SÓ PASSA MERDA – RECUERDOS DE LA MAÑANA, POR PEDRO LAGO.

Imagem: Pedro Lago.
Imagem: Pedro Lago.

POEMA: CÊ, POR EDUARDO RUEDELL

POEMA: VOCÊ EM MIM, POR LAVIOLETE ARAÚJO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Crônica

CRÔNICA: (RE) ENCONTROS, POR RAFAEL PACHECO

CRÔNICA: SOBRE A HUMANIDADE, POR SIMONE MACHADO

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Coluna

COLUNA: PARA REPENSAR A POÉTICA, POR J. ROWSTOCK

Entrevista

ENTREVISTA: O MULTI-TALENTOS ALEXANDRE CARVALHO

14.09.29 - Entrevista_Alexandre Carvalho2
Imagem: Luciana Minuzzi

 

Lançamentos e lembretes

ENVIE O SEU MATERIAL PARA A REVISTA CORNUCOPIA VACUA

VOCÊ VAI NO EVENTO DE LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #00

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

VOCÊ VAI AO EVENTO DE LANÇAMENTO DA CV #1?

COBERTURA DO LANÇAMENTO DA REVISTA CORNUCOPIA VACUA #01

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Imagem: Luciana Minuzzi

 

FELIZ NATAL, LEITORES DA CV

OS NÚMEROS DE 2014

 

 Um 2015 cheio de boas leituras pra todos nós. 🙂

Conto: As sorridentes, por Matheus Ribeiro Santi

Assim que eu vi o Matheus, soube que ele é um escritor. E um futuro jornalista. O Matheus Ribeiro Santi, ou Mr. Santi, é estudante de jornalismo da UFSM, como um dia eu fui. Fora isso, ele diz que ser ele mesmo, com todos os pesos e delícias, já ocupa boa parte do seu tempo.

Além dos textos jornalísticos, Matheus se aventura pela literatura de poemas a contos. Tem aquela pretensão de publicar um romance no futuro.  Mas não só isso, também uma coletânea de poesias e outra de crônicas e contos. Se depender dele, teremos várias aquisições novas para a nossa estante.

Essa gana toda de escrever é explicada por Matheus com a frase de Fernando Pessoa: “Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir”. – Luciana Minuzzi.

Contatos do autor: m.ribeirosanti@yahoo.com.br / matheusrsanti@gmail.com | Facebook | Twitter | Blog

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

As Sorridentes

Por Matheus  Ribeiro Santi

Um sorriso me atacou enquanto navegava pela internet. Rolava insistentemente página abaixo, sem prestar muita atenção ao que passava. De repente, um relance. Percebo. Paro. Volto. Não era um sorriso. Ou era? Para minha surpresa, era alguém que conheço bem. Clico na foto e ela se expande. Seu rosto é tudo em minha tela.

Aquele enigma me puxava e não queria soltar. Vencido, passo a prestar atenção nos seus olhos, cabelos, nariz, boca. Será isso um sorriso? Fito seus cabelos, negros, lisos, repartidos ao meio. Seus olhos grandes, negros, me devolvem o olhar direto com um brilho diferente de tudo que antes neles vi; e não expressam nada, e ao mesmo tempo expressam tudo; seus olhos gritavam e esperneavam silenciando o que sempre diziam; calados, clamavam por atenção.

Seu nariz pequenino e levemente arrebitado compunha o todo com perfeição. E, finalmente, a boca. Será isso um sorriso? Seus lábios pareciam maiores que minhas recordações. Rosados. Só Deus conhece perfeitamente a esses lábios. E apesar de nunca ter prestado muita atenção neles, eram extremamente familiares e totalmente diferentes. À extrema esquerda uma leve curvatura, discreta, sem expressões, nenhuma marca na pele. Não era um sorriso. Ou era?

Imediatamente minha mente é levada a outro sorriso. Tão enigmático quanto. Mais problemático que o primeiro. Seu rosto é parecido. Suas expressões. Os cabelos castanhos, cacheados, repartidos ao meio. Os olhos relativamente pequenos, castanho-claro, quase mel, fogem do meu olhar, ignoram-me, percebem o que está ao meu lado. Não, eles não me seguem, como alguns dizem. Sim, eles fogem de mim, quase que forçosamente. Fita ao meu lado para não fitar a mim. Leves, suaves. Brilham um brilho apaixonado. E se negam, numa brincadeira infantil e graciosa, a me atender.

Seu nariz não é pequenino nem arrebitado, ainda assim, compõe o todo com perfeição. E sua boca. Será isso um sorriso? Seus lábios são finos. A boca, pequena. Pálidos. Só Deus sabe perfeitamente o que querem dizer esses lábios. Nunca prestei muita atenção neles. Nunca os conheci. Nem me seria possível fazê-lo. Eles estão levemente curvados. A sombra o afirma e a percepção torna cada vez mais evidente. É um sorriso. Ou não é?

Voltando-me a mim, percebo que não sei o que elas querem dizer. Nem a que conheço, nem a que nunca conhecerei. Na verdade, não sei nem se querem dizer algo. Talvez quisessem sorrir, ou não sorrir… A indecisão resultou no retrato. E o que querem dizer, se querem dizer, eu não sei. Só sei que “as flores são tão contraditórias!”, em concordância a um desconhecido e pequeno príncipe.

Muitos discutem a segunda. Poucos conhecem a primeira. E as discussões resumem-se a técnicas e cores, estilos e resultados, mensagens e programas de computador. E quanto ao que não é visto? Quanto à flor do retrato? Quanto à segunda, não há nada que eu possa fazer. Ela pertence à arte e está sob o domínio dos arteiros.

Quanto à primeira, há muito que eu posso fazer. Ela não pertence a ninguém e, se eu dedicar tempo a ela, se tornará única no mundo, em semelhança à segunda. Mas talvez eu não precise saber ou entender, talvez compreender seja suficiente. Prestar atenção ao que vejo e ao que não vejo. Perceber a ternura e as sutilezas. Talvez eu já não seja tão jovem e saiba amá-la. Eu quero ouvir seus cabelos e seu nariz. Quero ouvir o brilho e vivacidade dos seus olhos. Quero ouvir o doce som de seus lábios quando sorri… E quando não sorri…

Apêndice

– Vamos! Olhe para mim, Lisa! – disse eu, enlevado, ainda com os resquícios do riso na boca.

– Não. – ela disse olhando para minha direita, ainda com o sorriso nos lábios.

– Desse jeito eu não termino seu retrato nunca! – não era uma verdadeira reclamação. Não queria terminar o retrato se isso significasse tê-la por perto para sempre.

– Ora, este problema não é meu. – sim, ela partilhava de meus sentimentos.

– Como assim? O retrato é seu!

– Mas a obra é sua. É o seu nome.

– Ah, então será assim? – disse eu em tom jocoso. – Muito bem. Durante nossas sessões você não poderá olhar para mim. Pintá-la-ei olhando ao lado.

– Como assim?

– Já que você se recusa a olhar para mim e, como bem disse, é minha obra, lhe retratarei com o olhar direcionado a outro ponto. – expliquei num tom terno, que não permitisse maus entendidos.

– Então não poderei olhar para você em momento algum? – perguntou entendendo meu objetivo.

– Exatamente, minha querida Lisa. Terá de se contentar com rápidos relances furtivos enquanto trabalhamos. – provoquei com um sorriso malicioso.

– Ah, não, Leo! Não faça isso. Não vou aguentar esse tempo todo sem lhe olhar. – percebi a verdade por trás da brincadeira. A graça, a ternura, o sentimento com que me confessava.

– Tarde demais. Já comecei a pintura. – gostei da brincadeira. Além do mais, acho que esse olhar dará um tom interessante à obra. – Agora fique séria, mia gioconda.

– Esse apelido que você me deu prova que não será tarefa fácil…

Apresentação

Cornupina vai rodar por aí e esvaziar a sua cornucópia.
Cornupina vai rodar por aí e esvaziar a sua cornucópia.

Uma cornucópia pode ter vários significados. Alguém pode lembrar-se de ter visto pintada em um pano de prato na cozinha. Quem estuda mitologia greco-romana, vai explicar melhor do que eu, mas é um símbolo de abundância. O passar do tempo agregou significados e ela virou símbolo das ciências econômicas. Também tem relação com alguns otimistas quanto à fartura no futuro. Pode ainda ser um lugar em Wisconsin ou uma música do Black Sabbath de 72 – admito que essa última seja a que mais significa para mim. Não importa o que vem a mente, mas que esse vaso em forma de chifre com coisas dentro nos faz pensar. Ao menos, me fez. Tanto que o pensamento cresceu e virou revista e blog. Mesmo que o vazio possa representar pessimismo, acredito que é uma oportunidade de colocar ali toda fartura que se imaginar. Pra mim, fartura é ver a profusão de palavras formarem frases e essas frases contarem histórias. Aproveitem essa cornucópia de histórias que os brindo junto com bons amigos e familiares que colaboraram para que ela acontecesse. Ao longo dessas páginas, letras de gente que me ajudou de alguma forma a ter coragem e mostrar o que escrevo para o mundo. Ao final, quero que você me diga: o que quer colocar na sua cornucópia?

Envie seu material, dúvida ou comentário para: cornucopiavacua@gmail.com

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Em breve, detalhes sobre o lançamento da revista impressa. Fique ligado. 🙂