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Poema: Mulheres do século XXI, por Simone Machado

*Este poema faz parte da Revista Cornucopia Vacua impressa #02

Leia mais da autora na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/simone-machado/

Uma poetisa apresenta uma visão sobre as mulheres do nosso tempo no poema abaixo. A autora é Simone Machado, estudante de Letras da UFSM e também cronista e contista. A incursão da moça pelo mundo das letras começou muito cedo, fortaleceu-se no ensino médio e, agora, ela já tem até um plano bem formado: “Pretendo escrever livros para jovens e adultos, misturando a realidade e a magia e mostrando que é possível falar de coisas sérias (como política, meio ambiente…) com jovens utilizando a criatividade e ambientando histórias no cenário brasileiro, utilizando da nossa cultura (o que ainda é visto com certo preconceito por muitas pessoas)”. A CV torce para que o plano de Simone dê certo.

siihnrock@gmail.com | Blog Diário da Bagunça

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

Mulheres do século XXI

Por Simone Machado

 

Dançam ao seu redor como fantasmas

Sem rostos, sem nomes, sem presente, sem futuro

Nuas e submissas como escravas

Mas livres para dançar ou partir sob o luar nascedouro

 

Movam-se desastres da natureza!

Gananciosas e imorais, sois agouros!

Façam-me implorar pela sua complacência

São vossos os olhos que guiarão os medos vindouros.

 

Deusas e fascínios, mestres de muitas faces

Intrigam, confundem e abatem os homens

Que não compreendem que vós sois a lua una de muitas fases

 

Ao mais bravo guerreiro os seus pedidos são ordens

Nem um tolo lhes apresenta impasses

Sois as novas heroínas dessa guerra, as principais personagens.

Resultado do Desafio #2

Depois de um tempo parada, a CV voltou com tudo. 😀

Pra começar, o resultado do desafio #2. Não lembra o que é isso? Leia sobre nesse post.  A ideia é escrever, pintar, bordar, algo sobre a imagem escolhida que é a que está abaixo.

A Simone Machado respondeu ao desafio e o resultado é tão maravilhoso quanto ela é.  Confira o resultado abaixo.

Mais sobre a autora e seus trabalhos no link.

Fique ligado que logo, logo, vem mais desafio por aí. 😀

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

 

O Infortúnio Final de Um Pobre Diabo

Por Simone Machado

 

Vagando pela noite fria,

O corpo tremendo

O estômago roncando

E tendo apenas a lua como companhia.

 

Fora já um jovem viçoso

De cabelos longos e movimentos ágeis

Mas mais que a idade, a fome tirou-lhe o esplendoroso

E deixou-lhe tão vazio quanto os solos mais estéreis.

 

Avistou um menino adormecido na escadaria

Seria maldoso até para um pobre diabo como ele deixar uma criança no frio morrendo

Com cuidado e já bem desajeitado pegou a cria

Levou-lhe para o velho túnel em que habitava sob a padaria graças ao reverendo.

 

Vigiou-lhe o sono meio nervoso

Nunca tivera sequer uma visita

E agora tinha ali um moleque de casaco majestoso

E algo como um arrependimento lhe consumia.

 

Se soubesse quem era o menino o teria lá deixado

Mas um homem desgraçado vê seus infortúnios chegando a galope

E não demorou para que lhe chegasse à casa o exército do principado

Ante terrível visão teve o velho uma síncope.

 

Ao abrir os olhos sentiu os grilhões apertados

Coube-lhe aceitar a situação em silêncio como um bom soldado

À tarde de terça ele foi queimado a altos brados

Morrera, assim, mais um miserável injustiçado.

Crônica: Sobre a humanidade, por Simone Machado

O clima de eleições inspirou a crônica de hoje. A responsável pelo texto é Simone Machado, estudante de Letras da UFSM. Nas linhas que seguem, a autora busca estimular a reflexão dos leitores acerca da igualdade entre os humanos.

Além das crônicas, Simone escreve poemas e contos. Isso foi desde sempre. Ela contou que aprendeu a ler muito cedo e inventava histórias antes mesmo de se conhecer como gente. A sua incursão no mundo da literatura passou a ficar séria no ensino médio, quando escreveu fanfictions, que são histórias criadas por fãs em cima das oficiais de séries, livros, entre outros.

Apesar de publicar o seu trabalho a pouco tempo, ela já tem um plano bem formado: “Pretendo escrever livros para jovens e adultos, misturando a realidade e a magia e mostrando que é possível falar de coisas sérias (como política, meio ambiente…) com jovens utilizando a criatividade e ambientando histórias no cenário brasileiro, utilizando da nossa cultura (o que ainda é visto com certo preconceito por muitas pessoas).”

Torcemos para que o plano de Simone dê certo. 🙂  – Luciana Minuzzi.

Contatos da autora: siihnrock@gmail.com | Facebook | Diário da Bagunça  | Página no Facebook 

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

Sobre a humanidade

Por Simone Machado

Eu evitei escrever sobre isso, mas discursos de candidatos à presidência me trouxeram a este ponto.
Falamos tanto em igualdade entre homens e mulheres e temos pouco resultado, vou tentar uma nova abordagem: vamos falar sobre igualdade entre seres humanos.
Todos temos a mesma base, nascemos da mesma forma, nos desenvolvemos de formas bem semelhantes (eu estou falando dos nossos corpos), mas nossas mentes são influenciadas de diferentes formas, levando-nos a desenvolver posicionamentos bem distintos frente às mesmas causas.
Nosso mundo não precisa da existência de opressores e oprimidos. Nenhum de nós precisa.
Infelizmente, sempre que falo em igualdade de gêneros algum homem diz: “ir pro quartel mulher não quer, né?!”
Meus senhores, assim como acredito na igualdade de gêneros, acredito que ninguém, nem homens, nem mulheres devam ser obrigados a ir para quartel algum. Considero essa obrigação uma infração ao artigo 5º da Constituição Federal e, como prova, o exponho:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.”

Artigo completo disponível em: http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/con1988_05.10.1988/art_5_.shtm

Acredito que o respeito ao próximo (regra presente nas suas bíblias, também) é imprescindível. Entretanto, não vemos muito disso por aí. Respeito não é algo que se vende na farmácia, não se distribui como santinho de campanha eleitoral, não se dá de presente de aniversário, respeito é algo que nos é ensinado, algo que cultivamos durante toda a nossa vida.
Respeitar não é firmar um contrato para que existam termos. Não vou respeitar aquela pessoa se e somente se ela respeitar a si mesma. Vou respeitar aquela pessoa sempre, em qualquer momento, em qualquer situação, mesmo que ela venha a ferir a mim. Nada, repito: nada, me dá o direito de tirar-lhe a respeitabilidade, o direito à uma vida da forma que ela escolher. Dignidade é um conceito pré-estabelecido para que nos sintamos superiores.
Não existe superioridade. Existimos nós. Existimos.
Por quanto tempo se continuarmos com esse ódio por tudo o que nos é estranho?
Como sugerido por Emma Watson:

“Se não eu, então quem?
Se não agora, então quando?”

Que sejamos iguais enquanto humanos e nos doutrinemos ao respeito, à garantia de que outros seres possam viver suas vidas sem se preocuparem com o que pensamos deles, afinal, pensamento é subjetividade e esta, meus queridos e queridas, não serve como definição para nossas vidas.