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Conto: A Morte de Lúcio, por J. Rowstock

O autor de hoje faz parte da história da Cornucopia Vacua. Por incorporar o faça-você-mesmo, J. Rowstock foi uma das inspirações para a criação da revista e um dos primeiros a ter um texto postado aqui. Leia aqui.

Hoje, ele trabalha como artesão e continua com o projeto independente Febre de Rato (link abaixo). Se depender da empolgação do moço com a arte, ainda vamos ver muito do trabalho dele por aí. J. disse que a arte está presente na sua vida desde que nasceu: “A arte é como gente, precisa respirar. Sou inspirado pela geração mimeógrafo, punk que por muito tempo fizeram como Ana Cristina ou Rimbaud!” Assino embaixo porque a CV tem essa missão de deixar a arte livre, respirar por todo o lugar. Fiquem com o conto abaixo e boa leitura. 😀 – Luciana Minuzzi.

Mais do autor na tag: https://cornucopiavacua.wordpress.com/tag/j-rowstock/

Contatos do autor:

E-mail: febrederato@hotmail.com | Site | Facebook | Febre de Rato    

Imagem: British Library.
Imagem: British Library.

A morte de Lúcio

Por J. Rowstock

Lúcio morreu. Sua família colocou seu corpo dentro de um caixão barato e fingiu cerimônia. Sua filha Alda ainda estava descontente pela morte de seu pai ter atrapalhado a data do seu casamento, a sua esposa Maria ainda preocupava-se com gastos que todos aqueles convidados conhecidos e desconhecidos estavam gastando no velório através de bebidas e salgados. Todos naquela sala iriam morrer, todos naquela sala não tinham conhecimento da dor e do ódio com que Lúcio partira… E talvez seja essa a maneira pérfida que o animal homem inventou para tapar o que nunca conseguirá vencer: A morte.  E por isso e para isso vale tudo! Vale comprar cada vez mais, vale ser cada vez mais rico, vale fazer o errado e fingir que não pecou… Milhares e mais milhares de burocracias para aqueles que têm medo da vida e da morte e por isso, portanto, inventam inconveniências para seus medos e acabam por tapar a realidade com suas mentiras. Lúcio morreu. Mas as pessoas que estavam no velório não estariam mortas também? (…)!